sábado, 29 de novembro de 2008







‘Equivocidades’: quando zurra a ignorância

Moacir Japiassu (*)

Pelo medo e o terror
foi imposta a conquista
Pelo fio da espada
(Talis Andrade in O Paraíso Destruído)

‘Equivocidades’: quando zurra a ignorância
O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, vizinha ao Palácio da Liberdade, onde Aécio não sabe o que é bom pra Minas Gerais nem para si próprio, pois Camilo despachou esta, depois de pesquisar em revistas e jornais:

A propósito das mágicas feitas por Daniel Dantas em favor do tesouro pessoal, o Sebastião Nery publicou na Tribuna da Imprensa, do Hélio Fernandes, único jornalista brasileiro que não muda de opinião (é sempre contra), uma nota digna do Jornal da ImprenÇa:

Não sei qual é o terreiro do Daniel Dantas lá na nossa poderosa Bahia. Mas ele não enlouquece só a Polícia Federal, a Abin, o Ministério Público, que correm atrás de suas múltiplas, transnacionais e biliardárias estripulias. Também seus advogados já começaram a pirar. E em plena TV. No "Jornal Nacional", o posudo doutor Nélio Machado desandou: "O processo é um conjunto de equivocidades" (sic). Seriam "equívocos".

O doutor Eduardo Greenhalgh, velho advogado de Lula, José Dirceu e do crime de Santo André, e hoje lobista de Dantas, não vai falar agora:

"Só no momento opportunity" (sic). Queria dizer "oportuno".

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Talis Andrade
Leia no Blogstraquis a íntegra do poema que encima a coluna. Nas páginas de seu livro Sertões de Dentro e de Fora inspira os versos do poeta o pesadelo abrigado no testemunho de Frei Bartolomé de Las Casas.

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Nosso planeta
O considerado Mário Lúcio Marinho envia outra "frase do ano" que percorre a internet:

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."

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Falta escrúpulo
O considerado Janio de Freitas escreveu na Folha de S. Paulo:

Na armação do negócio Oi/Telemar-Brasil Telecom-governo Lula, até o mínimo escrúpulo das urdiduras encobertas ou disfarçadas ficou como coisa do passado. Há mais de meio ano, está escancarada a participação do próprio Lula, com o assegurado decreto de alteração das regras impeditivas do negócio.

(...) Co-artífices da operação, o embaixador Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, e Hélio Costa, ministro das Comunicações, que foi contra o negócio começado às suas costas e, por obra de algum dos milagres comuns nessas transações, de repente tornou-se entusiasta na linha de frente.

Engulo, mas não posso digerir, o voto inútil que fiz a Lula.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que o presidente terá de engolir e, se puder, digerir.

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Título bom
De todos os títulos que anunciaram na imprensa a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, o melhor foi publicado em 21/11 na primeira página do jornal paulistano Diário do Comércio, cuja Redação é dirigida pelo considerado Moisés Rabinovici:

A Caixa não é mais Nossa

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Cheque no microondas
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo varandão debruçado sobre o Congresso e a Esplanada dos Ministérios é possível receber todos os péssimos fluidos desta democracia mais enganosa do que os cabelos louros de Marcelinho Paraíba, pois Roldão repassa mensagem de utilidade pública que percorre a internet:

Sabe aquelas máquinas de preencher cheques, aquelas que você só assina depois de preenchido automaticamente pela máquina, numa 'cortesia' do local onde você está pagando? Imagine só, os cheques podem ser apagados em fornos de microondas, sobrando apenas a sua assinatura. Em Santa Catarina ocorreu verdadeiro dilúvio de cheques adulterados em microondas. Com a tinta da máquina apagada no forno, os cheques podem ser preenchidos novamente.

Nos últimos dois meses, uma mesma agência bancária de Florianópolis recebeu 11 cheques adulterados da mesma forma.

'O preenchimento (na máquina) é feito com toner, que é um pó; este pó é desintegrado dentro do microondas', diz o perito em falsificações Arnaldo Ferreira. Segundo ele, um cheque de R$ 27,00 emitido em Santa Catarina foi compensado dois meses depois, em Feira de Santana, na Bahia, por R$ 4,2 mil.

O perito recomenda, como precaução, evitar as tais máquinas e usar sempre a caneta para o preenchimento dos cheques.

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Incorreto
Chamadinha na capa do UOL:

Evite roubadas
Conheça cinco dicas para fugir dos caras não valem nada

Janistraquis leu, observou a falta do "que", porém observou mais ainda o tom politicamente incorreto:

"Considerado, sabemos que, pelas novas regras da sociedade, não existem pessoas 'que não valem nada'. Há uns escorregões aqui, outros ali, mas a humanidade é boa, todas as almas vão para o céu, não existem pessoas feias, gordas ou velhas e o PT é um partido ético."

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Pensando em você!
Janistraquis recebeu e encaminhou ao goleiro Fernando Henrique, do Fluminense, famoso porque se benzeu 432 vezes durante os dois tempos de uma partida, sem contar os acréscimos:

Quando Jesus morreu na cruz, Ele estava pensando em você! Se você faz parte dos 7% que O apoiam, encaminhe este e-mail com o titulo 7%.

Confie.

As coisas acontecem na hora certa.
Exatamente quando devem acontecer!
Momentos felizes, louve a Deus.
Momentos difíceis, busque a Deus.
Momentos silenciosos, adore a Deus.
Momentos dolorosos, confie em Deus.
Cada momento, agradeça a Deus.

Isto é muito interessante! 93% das pessoas não encaminharão este e-mail.

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Duas melancias
O considerado Hugo Caldas, professor e tradutor de inglês em Recife, envia de seu escritório com vista para a praia de Boa Viagem:

A Escola Nacional de Magistratura incluiu em seu banco de sentenças despacho pouco comum do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas, em Tocantins. A entidade considerou de bom senso a decisão de seu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, detidos sob acusação de furtarem duas melancias.

Segundo Caldas (Janistraquis concorda até com a colocação das vírgulas), o despacho do meritíssimo nos devolve um pouco de confiança na Justiça, quase perdida depois de tantas e tantas “exarações” diabólicas de contumazes ladrões-de-toga.
(Leia no Blogstraquis a íntegra do documento.)

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É dá ou dou?!?!
Em anúncio do governo, anúncio que se inventa só pra gastar o dinheiro do povo, escuta-se a voz de uma senhora a perorar:

“Sem camisinha não dá!”

Janistraquis avaliou a situação e o tom empregado na divulgação do preceito e meteu a colher:

“Considerado, creio que erraram o tempo do verbo; o certo seria, em minha modesta opinião, ‘sem camisinha não dou’; o amigo concorda?”

Concordo. É procedente.

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Justiça é isso!
A considerada Helenita Gomes, empresária em São Paulo, envia mensagem de seu retiro no Bosque da Saúde:

Vi num noticiário americano da televisão que no estado de Idaho uma adolescente de 16 anos chamada Sarah Marie Johnson matou os pais a tiros e foi condenada a duas sentenças de prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional.

Se fosse aqui neste País de Todos, a criminosa pegaria uns aninhos de cadeia e sairia, jovem, linda e solta, para reclamar na Justiça o direito à herança paterna. Logo me lembrei daquela Suzane von Richstoffen, mandante do assassinato dos pais, que foram executados a pauladas enquanto dormiam. Mas talvez os americanos estejam errados, os certos somos nós...

Pois é, dona Helenita, segundo Janistraquis o Brasil é um país onde a justiça sempre dá uma “segunda chance” aos bandidos mais perigosos. É da nossa tradição, né mesmo? Agora, uma coisa é certa: duas sentenças de prisão perpétua é tremendo exagero; uma só já estava de bom tamanho!

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Nota dez
A coluna recomenda o artigo do considerado Geneton Moraes Neto, intitulado Os jornalistas estão enterrando o jornalismo!, no qual está escrito:

(...) Quem já passou quinze segundos numa redação é perfeitamente capaz de identificar os coveiros do jornalismo: são burocratas entediados e pretensiosos que vivem erguendo barreiras para impedir que histórias interessantes cheguem ao conhecimento do público. Ou então queimam neurônios tentando descobrir qual é a maneira menos atraente, mais fria e mais burocrática de transmitir ao público algo que, na essência, pode ser espetacular e surpreendente: a Grande Marcha dos Fatos.

O texto do autor, que todos conhecemos das entrevistas no Fantástico, foi publicado no site dele (www.geneton.com.br) e transcrito aqui neste portal.

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Errei, sim!
“É DE ENLOUQUECER!!! – Revelação surpreendente do caderno Negócio e Finanças, do Jornal do Brasil: São Paulo é a 3ª cidade sueca. Janistraquis conformou-se: ‘É, considerado... eu pensava que a terceira cidade sueca fosse Malmöe, mas é São Paulo, diz o sempre bem informado JB’. Estatelou-se, pensativo, e dali a instantes tresvariou: ‘Qual será então a quarta cidade sueca? Rio, Belo Horizonte...’. É mesmo de enlouquecer!!!” (agosto de 1991)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

25 mil dólares à melhor matéria investigativa


Prêmio para jornalistas destaca melhor investigação sobre corrupção do Instituto Prensa y Sociedad (IPYS)

Da Fundaplub

Os trabalhos devem ser publicados entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008. O prêmio é organizado pelo Instituto Prensa y Sociedad (IPYS) e o Transparency International for Latin America and the Caribbean (TILAC).
De acordo com os organizadores, o objetivo é promover uma melhor compreensão sobre o processo de corrupção nos países latino-americanos, onde é grave o problema de práticas desonestas nos setores estatais e privados.
Além do prêmio de US$25.000 ao primeiro colocado, dois prêmios de US$5.000 serão entregues a trabalhos merecedores. O prêmio recebe o apoio financeiro do Open Society Institute.
Para mais informação, visite (em espanhol) www.ipys.org/premio1.shtml.
Regulamento: www.ipys.org/premio2por.shtml
Os interessados deverão enviar por e-mail um formulário de inscrição disponível no site de concurso, www.ipys.org/inscri_premiopor.shtml
Também podem inscrever-se enviando os seguintes dados diretamente aos correios
premio@ipys.org e premioipys@gmail.com

Oportunidade para estudar na Oxford


Programa de Bolsas de Estudos da Fundação Reuters permite que jornalistas bem estabelecidos estudem de três a nove meses na Universidade de Oxford, onde poderão perseguir e atingir seus interesses de pesquisa. Os candidatos devem ter no mínimo cinco anos de experiência e proficiência na língua inglesa. Será dada prioridade aos jornalistas que propuserem projetos de pesquisa dentro das áreas de foco do Instituto Reuters de Estudos em Jornalismo, que incluem política, economia e o futuro do jornalismo. As inscrições vão até 28 de janeiro de 2009. Mais informações no site da Reuters Institute.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cada grão será bem-vindo - as contas para doações


Contas para doações

Banco do Brasil: agência 3582-3, conta corrente 80.000-7

Besc: agência 068-0, conta corrente 80.000-0

Bradesco: agência 0348-4, conta corrente 160.000-1

Caixa Econômica Federal: agência 1277, Operação 006, conta corrente 80.000-8

O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57

Conta da prefeitura de Itajaí
A DEFESA CIVIL ABRIU UMA CONTA PARA DOAÇÕES: BANCO DO BRASIL, AGÊNCIA 0305-0, CONTA CORRENTE: 52222-8 – ITAJAÍ ENCHENTES 2008.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ajudemos Santa Catarina

Relato de um desalojado


Enchente em itajaí

Postado no 25/ 11/ 2008 por Rogério Christofoletti - professor de jornalismo da Univali e coordenador do grupo Monitorando a mídia

Sou um dos mais de 20 mil desalojados nas enchentes que assolam o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, neste final de novembro. É um drama, mas não é um drama isolado. Estimativas dão conta de que 1,5 milhão de pessoas tenham sido afetadas pelas fortes e constantes chuvas. São mais de 44 mil pessoas – até o momento – que estão desabrigadas ou desalojadas. Existe uma diferença entre uma coisa e outra: desabrigado é quem não tem onde ficar e vai para abrigos improvisados ou organizados pela Defesa Civil e órgãos de atendimento. Desalojado é quem está em casa de amigos, vizinhos, parentes, como é o meu caso.
Cerca de 80% da cidade de Itajaí está sob as águas, e todas as classes sociais estão atingidas. Dos miseráveis aos ricaços, ninguém foi poupado. Mesmo quem não foi diretamente atingido está sofrendo as conseqüências: veja o caso dos meus amigos Isaías e Raquel, que acolheram a minha família e mais outras duas em seu apartamento. A cidade deve sofrer nas próximas horas com falta de água, alimentos, combustíveis… Boa parte da cidade, metade dela, está sem energia elétrica.

Os gestos
É um lugar comum, um clichê desgastado, mas tem uma verdade incontornável: em momentos trágicos como este, nos surpreendemos com os gestos de solidariedade, amizade, fraternidade das pessoas. Das pequenas às grandes demonstrações: é o empresário carioca que disponibiliza caminhões da sua empresa para distribuir água; é o caminhoneiro anônimo que oferece carona a desconhecidos para atravessar um trecho alagado; são os amigos que se ligam para ter informações; são as pessoas que – mesmo atingidas – se colocam como voluntários para atender os outros.
Deixei minha casa, e depois conferi que cerca de 30 ou 40 cm de água havia invadido o local. Não pude permanecer lá. Saí no domingo de manhã, antes mesmo da água chegar. Fui com mulher e filho para um local seguro, e em seguida, fomos auxiliar no Colégio Dom Bosco, onde centenas de pessoas chegavam molhadas, com frio, com fome, e sem nenhuma esperança. Perderam tudo. Distribuindo roupas para as pessoas, eu via nos olhos delas um misto de vergonha, de desalento, de perplexidade. Um sofrimento intenso, difícil de escrever aqui.
Ontem, à noite, quando fomos à Univali para ajudar mais sofrimento e dor. Desespero e medo.

Tensão
No domingo à noite, passamos pelo Supermercado Angeloni e havia um clima silencioso de grande tensão, de comunhão pelo medo. As águas não paravam de subir e a maré cheia se aproximava. Depois, soube que o Angeloni – ao menos o seu estacionamento – ficou todo tomado pela água barrenta.
É manhã de terça, e os mortos já são 65. Temo que os números disparem assim que o nível da lama baixe e que a Defesa Civil, Bombeiros e Polícia possam chegar aos locais onde houve deslizamentos e quedas de barreira.
Conversei com vários moradores mais antigos da cidade, e que já passaram pelas famigeradas enchentes de 1983 e 1984. Eles me disseram que os dias que vivemos aqui são piores, bem piores. A cidade cresceu muito desde então. A área impermeabilizada aumentou, assim como a quantidade de lixo produzido também. Tudo isso associado às condições atmosféricas fizeram com que um cenário de guerra se descortinasse por aqui.

O caos
Alguém aqui lembrou um livro. Outro alguém, um filme. Acho que os dois exemplos dão uma noção do que estamos passando por aqui. O livro: Ensaio sobre a cegueira. O filme: Guerra dos Mundos. Nos dois, o panorama é de abandono, destruição, hordas de famintos e flagelados; desespero e o inevitável sentimento de perda. Imagens podem ser vistas no blog do meu amigo Robson Souza (http://luzeestilo.wordpress.com), e informações bem atualizadas no blog do Juliano Flor, acadêmico de Jornalismo (http://visaoextra.blogspot.com).
Demorei a postar algo aqui por diversos motivos: viajei a São Bernardo do Campo para o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo na quarta 19 e só voltei no sábado, 21. No domingo, tudo aconteceu, e fiquei fora de órbita. Na verdade, ainda estamos fora de ordem.

A dor e o sofrimento não vão parar
Assim que as águas baixarem, projeto eu, entraremos em outra fase desse calvário: o de contabilizar os danos, limpar a destruição e passar a reconstruir a vida. Nada será como antes, e isso não é um pessimismo à toa. Quem passa por isso aqui não esquece. Nunca. Então, a vida está andando de lado, está suspensa. Não há aulas. Não há compromissos. Não há agenda a ser cumprida. Não há vida normal. Só existe o essencial: sobreviver.
Por isso, as imagens evocadas pelos meus amigos do livro e do filme não largam a minha cabeça. Calculo que não chegaremos a um nível tal de degradação como o relatado por José Saramago, em seu lindíssimo livro. Também acho que a destruição não será como a protagonizada por Tom Cruise nos cinemas. Mas a mobilização das pessoas, a interrupção brusca do ritmo da existência e a perplexidade com a nossa fragilidade e vulnerabilidade são os mesmos.
Estou bem. Minha família também. Os amigos idem. Aliás, graças à amizade, à generosidade, à imensa capacidade de doação de alguns, muito estão sobrevivendo.

Qualquer forma de amor vale a pena



Do Blog Desabrigados do Itajaí

Nesses primeiros 30 dias não envie móveis e eletrodomésticos
As condições de armazenamento e transporte são precárias
As doações devem ter contínuidade. Nos primeiros dias não será
possível lavar roupa por falta de agua e mesmo será difícil secar
pela alta umidade do ar
Medicamentos populares para dor, febre, cólica, enjoo, diarréia
Alcool
Antiseptico
Ataduras,
Esparadrapo,
Luvas de procedimento e
Seringas e agulhas
Termometro digital
Algodão
Adoçante - para diabéticos,
Toalhas
Sabonete
Creme dental
Escova de dentes
Repelente de insectos
Itens de higiene feminina
Sacos de plástico de lixo resistentes de 50 e 100 litros
Papel higiénico
Papel toalha
Fraldas inclusive geriárticas
Hipoclorito (para tratamento de água limpesa de verduras e frutas)

Colchões e colchonetes
Cobertores leves de padrão popular que custam +- R$10,00
Colchas Lençóis Fronhas
Mantas
Travesseiros
Pedaços ou retalhos grandes de qualquer tipo de tecido
Calcinhas e cuecas infantis
Calcinhas femininas as mais simples
Cuecas
(respeite os desabrigados nunca envie roupas íntimas usadas, mesmo limpas)
Toalhas pequenas e médias
Calças de moleton
Blusas de moleton
Bermudas de qualquer tipo
Camisetas de todo tipo
Chinelos tipo havaiana (fazem menos volume que calçados comuns)

Água potável é prioridade sempre em garrafas plásticas
Abre-latas
Alimentos não perecíveis
Arroz
Feijão
Açucar
Enlatados
Alimentos perecíveis mas que não depedam de refrigeração
(salames por exemplo)
Enlatados não são reconmedáveis)
Alimentos práticos para consumo sem cozimento:
(em alguns locais as condições de cozinha são precárias)
Pães e Bolos
Leite em pó comum e infantil
Leite Longa vida
Bananas
Banana passa
Biscoitos
Achocolatado
Sucos Prontos
Barra de Cereal
Leite condensado (misturado com água não precisa de açucar)

Em Curitiba, faça o seguinte:

Equipes da Prefeitura de assistência social, abastecimento e defesa civil estão montando 65 pontos na cidade para arrecadação de donativos.

A população poderá Doar a partir desta terça-feira (25):
- alimentos NÃO PERECÍVEIS;
- produtos de limpeza e de higiene;
- roupas, sapatos e agasalhos;
- cobertores, roupas de cama, toalhas de banho;
- utensílios domésticos e móveis.

Postos de Arrecadação:
- Ruas da Cidadania;
- Armazéns da Família;
- Centros de Referência Assistência Social (CRAS);
- Prédio central da Prefeitura, no Centro Cívico;
- Edifício Delta, no Alto da Glória.

* Informações e endereços dos postos de arrecadação poderão ser obtidos pelo telefone 156, da Prefeitura, ou 199, da Defesa Civil.

* O Hospital Cruz Vermelha - Filial do Estado do Paraná também está arrecadando
alimentos não perecíveis para as pessoas vítimas da enchente no Estado de Santa Catarina. Estarão disponíveis caixas de coletas em todas as recepções do Hospital da Cruz Vermelha. Contato: 3016-6622

Imprensa vigilante


FUTEBOL & POLÍTICA

Mais um caso de omissão da mídia

Por Venício A. de Lima - Observatório da Imprensa

Escorada nos mitos da sua missão de fiscalizadora do poder, da imparcialidade das notícias e no princípio da liberdade de imprensa, muitas vezes a mídia acaba por praticar um jornalismo nos limites de sua responsabilidade social, sobretudo, dentro do que já se chamou de uma "cultura adversária" aos poderes da República. A observação crítica da mídia, todavia, nem sempre tem conseguido mostrar a outra face da moeda, isto é, as muitas situações em que a mídia, por interesse e/ou omissão, deixa de cumprir o papel que atribui a si mesma.

Uma dessas situações ocorreu com a assinatura do "Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé relativo ao estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil", no último dia 13 de novembro, objeto de vários artigos nesse Observatório. Outra, mais recente, está ainda sendo vivida pelos moradores do Distrito Federal e envolve, pelo menos, os principais jornais e TVs locais. Trata-se da reinauguração de estádio na cidade satélite do Gama, na quarta-feira (19/11), com a realização do jogo entre as seleções de futebol do Brasil e de Portugal.

A festa

O governo do Distrito Federal reformou o Estádio Valmir Campelo de Bezerra, conhecido como Bezerrão, homenagem ao ex-administrador do Gama (1974-1981) – ex-deputado federal e ex-senador pelo antigo PFL e hoje ministro do TCU – em cuja gestão o estádio foi inaugurado, em 1977. O Bezerrão se tornou "o primeiro estádio do país nos padrões mundiais da FIFA" para sediar partidas da Copa do Mundo e o custo total da reforma foi de 50 milhões de reais para os cofres públicos.

A reinauguração foi cercada de enorme campanha publicitária tendo o ex-jogador Romário como "garoto propaganda". Reclames de página inteira nos jornais anunciaram antes do jogo inaugural que "A Copa do Mundo é em 2014. Mas aqui ela já começou. E com gol de placa". Após o jogo, o mote passou a ser: "Vitória do Brasil e vitória de Brasília no Bezerrão. O jogo e a festa foram sucesso. Mas o melhor de tudo é o Bezerrão, uma obra para o povo de Brasília usar todo o dia".

Não se divulgou o custo da campanha publicitária.

Para prestigiar a "festa", boa parte da elite política do país esteve presente ao jogo ao lado de celebridades como Pelé, Felipe Massa e Romário. Estavam lá o presidente e ministros do STF, o procurador geral da República, o governador e o prefeito de São Paulo, senadores, deputados, presidentes de partidos políticos e outros figurões da República.

A cobertura jornalística do evento foi enorme. Clima de festa, manchetes de capa durante toda a semana; cadernos especiais e, claro, "quem ganhou com tudo isso foi a torcida brasiliense".

Dois dias depois do jogo, novamente manchete de capa para o projeto de reforma do estádio Mané Garrincha no centro de Brasília, estrategicamente anunciada após "a apoteose" da reinauguração do Bezerrão. Um investimento de 400 milhões de reais para habilitar o estádio a receber uma partida da Copa de 2014.

O grande ausente

Pouco ou quase nada se disse, no entanto, sobre o grande ausente de toda a festa, justamente aquele em nome de quem tudo isso é feito – e anunciado: o "povo".

A capacidade do estádio é de 20 mil lugares. Pelo que pode ser filtrado das informações divulgadas, pelo menos 6 mil ingressos foram distribuidos pelo GDF para seus "convidados". Dezessete mil moradores do Gama – população de 150 mil habitantes – se inscreveram para concorrer aos minguados 1.500 ingressos que foram sorteados pela administração regional. Consta que os operários da obra também receberiam ingressos. Os restantes 12 mil ingressos foram colocados à venda. A qual preço?

As arquibancadas norte e sul (fundo do campo) custaram 180 e 90 reais (inteira/meia). As cadeiras 200 e 100 reais. E as arquibancadas leste e coberta (laterais do campo) 250 e 125 reais. Os ingressos deveriam ser pagos com "dinheiro em espécie" e a compra pela internet era acrescida de uma "taxa de conveniência" no valor de 20%, ou seja, o ingresso mais barato passaria a ser uma "meia" de 108 reais.

Qual camada da população – do Gama ou das outras regiões do Distrito Federal – pode comprar ingressos a esse preço?

Ausências relevantes

Não caberia à mídia questionar que a "festa popular" – independente da capacidade de lotação do estádio – estava proibida para a grande maioria da população que, mesmo com os altos índices de renda per capita do Distrito Federal, não poderia destinar valores equivalentes a um quarto de salário mínimo para comprar um único ingresso (dos mais baratos)?

Não caberia à mídia questionar também – como já fez corretamente em relação à publicidade oficial do governo federal – que uma obra financiada com recursos públicos se transforme em instrumento de marketing político de um governo?

Os contribuintes torcedores – no Gama e no Distrito Federal – tiveram que se contentar em ver o jogo pela TV, depois das 22 horas, horário de conveniência da televisão, mas, evidentemente, inconveniente para quem trabalha no dia seguinte e depende do transporte coletivo nas primeiras horas da manhã (sobre esse fato – que não se limita à festa do GDF – também a mídia se omite).

Outra curiosidade: o ministro dos Esportes e o presidente da República não compareceram à festa realizada a poucos quilômetros da Esplanada dos Ministérios. A mídia não considerou as ausências relevantes o suficiente para falar sobre elas ou explicá-las.

Circo da Notícia


A LISTA DE DANTAS

Só a verdade nos libertará

Por Carlos Brickmann - OI

Algum jornalista foi pago para defender Daniel Dantas, ou para atacá-lo? Algum órgão de divulgação recebeu ou recebe favores para defender Daniel Dantas, ou para atacá-lo? A resposta é urgente: os inquéritos sobre o caso Opportunity indicam gastos de R$ 18 milhões, só em 2008, para subornar juízes, políticos e jornalistas (o dado foi fornecido pelo delegado Carlos Eduardo Magro, participante da Operação Satiagraha). Enquanto isso não for apurado – primeiro, se é verdade ou mentira; segundo, se o mesmo fato também ocorre com os adversários do banqueiro; terceiro, quem foram os subornados – todos ficarão sob suspeita. E nenhuma instituição pode funcionar sob suspeita permanente.

Nas investigações do delegado Protógenes Queiroz, houve coisas inaceitáveis: por exemplo, confundir uma repórter que deu um furo de reportagem (e absolutamente correto, como se soube mais tarde) com alguém a serviço de um dos lados é uma tremenda impropriedade. Confundir um repórter escalado para acompanhar um suspeito com alguém a seu serviço é também uma impropriedade. Mas às vezes acontece: quando alguém está muito próximo de uma fonte, relações incorretas tendem a ocorrer.

Como, durante muitos anos, a impunidade foi a regra, os envolvidos em escândalos nunca tomaram muitas precauções (houve gente que ia pessoalmente ao banco buscar a mesada, ou enviava parentes próximos; houve gente que combinava os pagamentos por telefone, correndo o risco do monitoramento). Isso facilita uma investigação bem-feita, capaz de responder às questões aqui propostas. E a busca da verdade não precisa ficar a cargo exclusivamente da Polícia: é uma boa hora para o jornalismo investigativo tentar se antecipar aos inquéritos policiais e reviver a boa prática dos furos de reportagem, contando quem é quem no Brasil.

Mas não sejamos ingênuos: o jornalismo investigativo, por melhor que seja, não terá condições de apontar empresas de comunicação que eventualmente tenham tido comportamento irregular e recebido benefícios, muitas vezes mascarado como publicidade. Há coisas que só as autoridades podem fazer. Mas, mesmo nesses casos, os jornalistas podem manter-se alertas, acompanhando as investigações oficiais, cobrando resultados e mantendo uma postura crítica – por exemplo, ninguém é culpado só porque alguma pessoa, num telefonema gravado, citou seu nome.

É difícil trabalhar quando todos são suspeitos e os que receberam se protegem por trás do corporativismo.


Pequenas guerras

É importante, também, ressaltar que muitos jornalistas precisam não apenas de autocontrole, mas também do acompanhamento crítico de outros jornalistas que conheçam seus afetos e desafetos. Porque esta é uma ocasião de ouro para descontar velhas pinimbas e colocar no pelourinho seus inimigos jurados. Quem já foi demitido de um veículo de comunicação precisa de muita força interior – ou de gente que mostre aos leitores, em outros veículos, o que está acontecendo – para resistir à tentação de jogá-lo às feras, juntamente com os ex-colegas responsáveis pela demissão.


Como se faz?

Uma empresa importadora de carros de luxo informa, em anúncios de página inteira, que recebeu recursos subsidiados do governo brasileiro e está vendendo com juros ainda menores do que antes.

O caso já foi narrado aqui: a empresa vendia seus carros (e isso constava em destaque nos anúncios) com juro zero – exatamente, 0% ao mês. Agora, está cobrando 0,99% ao mês. Todos os meios de comunicação têm uma ampla seção automobilística: ninguém vai perguntar a essa empresa como é que consegue fazer com que 0,99% ao mês sejam mais baixos do que 0%?


O dólar bom

Primeiro, toda a imprensa se preocupava com a baixa do dólar. Se caísse abaixo de R$ 2,30, os exportadores quebrariam. Depois, houve a barreira dos R$ 2,00. Abaixo de R$ 2,00, jamais! No fim, o dólar se estabilizou entre R$ 1,60 e R$ 1,70, e a imprensa reclamava. O Banco Central gastou muito comprando dólares para, segundo a imprensa informava, segurar a queda.

Agora o dólar subiu e está a R$ 2,40 (ou algo parecido, porque se mexe a cada momento). E a imprensa reclama que o dólar está alto, que vai repercutir na inflação, que o preço dos insumos agrícolas vai jogar o preço das commodities para cima e dificultar as exportações, essas coisas. O Banco Central, segundo a imprensa, já gastou US$ 50 bilhões, agora para tentar segurar a alta.

Este colunista entende o suficiente de economia para saber que, se o dólar baixo é ruim, é bom que suba um pouco. Mas, se o dólar baixo é ruim, se o dólar alto é ruim, que é que se propõe? Que o Brasil passe a negociar internacionalmente com aquela moeda do Mercosul?


Apareça lá em casa

Em sua primeira conversa por telefone, o presidente Lula convidou o presidente eleito americano, Barack Obama, a visitar o Brasil. Obama, protocolarmente, disse que teria o maior prazer em vir. Resultado: todos os meios de comunicação informaram que Obama tinha aceito o convite para vir ao Brasil. Parecia até que só faltava decidir o roteiro.

Na verdade, foi como aquela conversa com um conhecido que não se vê há muito tempo: "Apareça lá em casa!" Ele concorda, claro. Mas, se aparecer de verdade, vai provocar uma tremenda surpresa.


Lá e cá

E falavam dos jornais soviéticos, tadinhos! Só porque, a cada mudança nos humores do poder, o Pravda e o Izvestia modificavam as fotos antigas, tirando gente que tinha deixado de ser conveniente. E falam dos jornais e revistas brasileiros, que também falsificam fotos, mas em geral para ocultar imperfeições femininas.

Pois isso acontece também na França: o tradicionalíssimo Le Figaro apagou um belíssimo anel de ouro e brilhantes da ministra da Justiça, Rachida Dati. Pelo que dizem, o anel custa algo como R$ 50 mil – e a ministra se apresenta como oriunda de família pobre. Como o dono do Figaro é Serge Dassault, dono também de boa parte da indústria bélica francesa (e que, portanto, precisa manter boas relações com o poder), o anel foi extirpado. Le Figaro assumiu a modificação da foto: "Não queríamos provocar polêmica em torno deste anel".

Quem desmontou a farsa foi a revista L´Express, que publicou a foto original, com anel e tudo. E o jornal Liberation bateu duro: "Pravda, o retorno".


Como...

Trechos extraídos de um pedido de entrevista encaminhado ao diretor de uma empresa estatal:

** "As obras que liga (...) ao (...) ira deixar os trens mais vazios?

** "Quanto relacionado ao publico um dos resultados é a insatisfação o que o senhor tem a dizer sobre a insatisfação do público quanto ao valor da passagem e aos transportes tão lotados?

** "O que o (...) tem haver com esses problemas?

** "Qual o grande acontecido? O que esta acontecendo para tudo isso acontecer?"


...é...

Tirado de um jornal dos grandes:

** "Homem ataca namorada com sanduíche nos EUA"


...mesmo?

De um importante portal de notícias:

** "Angelina Jolie confessa que amamenta gêmeos ao mesmo tempo"

Terá sido habilmente interrogada antes de fazer essa confissão?


E eu com isso?

No salão de beleza, são assuntos imbatíveis. São temas democráticos: você pode conversar sobre eles com qualquer pessoa, seja qual for seu nível de instrução ou renda. No ônibus, no metrô, no táxi, pode puxar conversa: todo mundo está a par. Mãos à obra, pois! Informemo-nos!

** "KLB estréia quadro em programa da Record"

** "Camila Pitanga leva filha ao médico no Rio"

** "Lavínia Vlasak faz compras para filho no Rio"

** "Preta Gil viaja para encomendar alianças de casamento"

** "Príncipe William flagrado fazendo xixi na cerca em jogo de pólo"


O grande título

Títulos bons de verdade, poucos; mas bem interessantes. Comecemos com Sarah Palin, que perdeu as eleições mas continua nas manchetes:

** "Sarah Palin comete gafe com peru em entrevista"

Dá para explicar: nas vésperas do Dia de Ação de Graças, em que é hábito americano servir peru na ceia, muitas autoridades chamam a imprensa e "indultam" o peru, salvando-o da panela. Sarah Palin fez isso – só que, enquanto dava a entrevista em que comunicava o indulto, algum idiota aparecia às suas costas cortando o pescoço do bicho. Só não disseram se o peru abatido era o mesmo que seria indultado.

E agora o grande título:

** "Obama promete dar prioridade à redução da emissão de gases"

Quanto os propagandistas de Luftal não pagariam por um merchandising como este?

O anel

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amazonologia



Amazonologia

Por Eduardo Almeida Reis - Correio Braziliense - 15/11/2008

São comuns na internet plágios, contrafações, textos atribuídos a fulano ou beltrano, quando são de sicrano ou invenção que internautas que preferem ficar anônimos. Coisa feia, esse negócio de anonimato. Coisa feia, também, a transcrição apressada de um texto, atribuindo a terceiros aquilo que escreveram de outra forma, em outro contexto.

O que acho admirável nas pérolas pescadas pelos professores no Enem é que são autênticas. É inimaginável que alguém, mesmo com o propósito de fazer graça, possa inventar aquilo. Quem é o pensador mais engraçado, mais experiente, mais culto do Brasil? Voto em Millôr Fernandes , escritor, teatrólogo, humorista, desenhista, causeur, tradutor de Shakespeare, autor de frases antológicas - profissional completo.

Pois muito bem: se pedissem ao genial Millôr que se trancasse no escritório durante um ano para produzir as pérolas transcritas abaixo, sou capaz de apostar que ele não conseguiria. Recuso-me a incluir as frases no gênero besteirol, que é coisa séria, seriíssima, pressupondo autor com humor e saber; senso de humor e ilustração do público-alvo. Vamos às pérolas.

1) "O problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias ONGs já se estalaram na floresta". 2) "A amazônia é explorada de forma piedosa". 3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta". 4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu". 5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta". 6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação". 7) "Espero que o desmatamento seja instinto". 8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo". 9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta".

10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis". 11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas". 12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna". 13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza". 14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica". 15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável". 16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias". 17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia". 18) "Paremos e reflitemos". 19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas".

20) "Retirada claudestina de árvores". 21) "Temos que criar leis legais contra isso". 22) "A camada de ozonel". 23) "A amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor". 24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração". 25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável". 26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação". 27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises". 28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes". 29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório".

30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando". 31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc." 32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem". 33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis". 34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia". 35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?" 36) "A fiscalisação tem que ser preservativa". 37) "Não podem explorar a Amazônia de maneira tão devassaladora".

Aigolonozama


Por trás da falta de palavras

Marina Silva - para o Terra Magazine - Terça, 25 de novembro de 2008, 07h21

"Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo". Esta e outras afirmações foram feitas no exame nacional do ensino médio.

São as famosas "pérolas do Enem", que circulam todo ano na internet. Sempre tenho dúvidas sobre a veracidade desses relatos, mas, desta vez, li a respeito no texto de um colunista do jornal Correio Braziliense ("Amazonologia", Eduardo Reis, 15/11/2008), que os trata como autênticos.

Se as frases por ele reproduzidas são de fato provenientes das redações do Enem sobre meio ambiente e Amazônia, estamos diante de um gravíssimo adoecimento educacional do país, que essas provas deixam mais evidente. E, o que é pior, os jovens vítimas dessa situação são ridicularizados, como se fossem uma espécie de "palhaços" trágicos da nossa incapacidade coletiva de superar um dos piores passivos nacionais, que é o da educação.

Duas situações convivem nesse universo. Uma, a dos estudantes cujas famílias têm meios para lhes dar suporte escolar e um ambiente doméstico com bom acesso à informação. Outra, a dos estudantes que remam contra a maré da pobreza, da falta de condições materiais em casa e do arremedo de escola. Estes são duplamente atingidos porque são também humilhados, como se a condição de pobreza, que os afasta dos meios para melhorar a performance escolar, significasse uma incapacidade inata.

Mas, lendo com atenção as frases, é possível fazer uma colheita de pérolas verdadeiras, de grande valor. Na verdade, seus autores revelam uma preocupação pertinente e relevante com a Amazônia, embora não tenham as palavras corretas para expressá-la. Fazem um esforço para identificar problemas ambientais reais, mas em boa parte dos casos talvez lhes faltem os jornais, o acesso à informação, a intimidade com a linguagem culta. Falta-lhes escola de qualidade.

E, no entanto, por meio de sua linguagem torta, dizem muito. No seu esforço para escrever há uma intenção e uma informação. A intenção é de proteger o meio ambiente e a Amazônia. A informação que nos chega, de forma indireta, é a de que as camadas mais pobres do país e, portanto, as que têm menos oportunidades de educação formal, conhecem a importância desse tema. Sabem que é preciso cuidar da biodiversidade, evitar os desmatamentos e queimadas.

Esses jovens, a despeito da falta de apoio, têm o mérito de ter conseguido entender a visão básica de conservação e de conceitos sócio-ambientais complexos. Se "traduzirmos" suas frases, o que está dito é: o que acontece na Amazônia tem repercussão mundial; a Amazônia é explorada de forma impiedosa; vamos nos unir para salvar o planeta; o homem destrói a floresta e isto tem que ser coibido; o desmatamento ilegal é a principal causa da devastação; o processo de extinção de animais é grave; a emissão de poluentes contribui para a destruição da floresta; há empresas que lidam com a floresta da maneira correta; as queimadas destroem os habitats da fauna; a Amazônia tem valor inestimável; devemos parar e refletir. Alguém discorda?

Também, à sua maneira, falam do corte ilegal de árvores, da necessidade de leis, da responsabilidade dos governantes, da má política, da necessidade de ações preventivas, do aumento do aquecimento global. Têm noção dos temas que importam, mas não sabem discorrer sobre eles.

Têm sensibilidade, mas o sistema de ensino não está à altura deles, de seu interesse, de seu potencial. Rir de seus erros é um contra-senso; é como se achássemos hilariante o desastre que o déficit educacional significa para o futuro do Brasil.


Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ditirambo semanal











"Não é muito útil abandonar-se aos próprios vícios se é preciso lutar contra os alheios." - XXVIII - Da viagem - Aprendendo a viver - Sêneca

domingo, 23 de novembro de 2008

Bolsas para a Alemanha


Bolsas para pós-graduação na Alemanha em "International Media Studies"

A DW Akademie, instituto de formação profissional da Deutsche Welle, a
emissora internacional da Alemanha, está oferecendo 15 bolsas
integrais para seu primeiro curso de pós-graduação Master
"International Media Studies (IMS)". O curso bilíngue é fruto de
parceria entre a Deutsche Welle, a Universidade de Bonn e a
Universidade de Ciências Aplicadas (Fachhochschule) de
Bonn-Rhein-Sieg.

O primeiro ano letivo do novo master começará em setembro de 2009 em
Bonn. O curso terá a duração de quatro semestres em período integral.
O master objetiva uma formação profissional tanto prática quanto com
fundamentos científicos. Seu programa abrangerá meios de comunicação e
desenvolvimento, jornalismo, ciência da comunicação e gestão de meios
de comunicação.

Os candidatos têm ser de países em desenvolvimento e possuir
bacharelado, além de pelo menos um ano de experiência profissional na
área de comunicação, como jornalista, gestor de veículo de comunicação
ou assessor de comunicação. É necessário ter proficiência tanto em
inglês quanto em alemão, uma vez que o curso é bilíngue.

Prazo final para candidaturas: 31 de maio de 2009.

Mais informações:

· sobre o Master IMS: www.ims-master.de

· sobre a DW Akademie: www.dw-akademie.de

· ou por e-mail: ims@dw-world.de

Pedidos de esclarecimentos e candidaturas às bolsas devem ser
encaminhados (em alemão ou inglês) diretamente à DW Akademie. O DAAD
está apenas colaborando na divulgação do curso.

SOLICITAMOS E AGRADECEMOS A DIVULGAÇÃO ! (stand 10.11.2008)

DAAD Assessoria de Marketing e Comunicação

Marcio Weichert

Rua Teodoro Sampaio, 1020, cj. 1107

05406-050 - São Paulo - SP - Brasil

Telefax: +55 11 3083 3345

marcio@daad.org.br
______________

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mais uma publicação do bandeirante do jornalismo








Para ler a revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Mestrado em Jornalismo da Universidade Federal de Santa catarina, acesse www.posjor.ufsc.br/revista.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Com o pé na estrada

para participar do 6º encontro do SBPJor










COMUNICAÇÕES COORDENADAS

Quinta-feira - dia 20

01. 200 ANOS DA IMPRENSA BRASILEIRA: APRESENTANDO ALGUMAS REFERÊNCIAS
Coordenador: Antonio Hohlfeldt

Princípio, meio e fim da cordata Gazeta do Rio de Janeiro
Álvaro Nunes Larangeira

Imprensa e mercado no Brasil: de 1945 aos nossos dias
Ana Paula Goulart Ribeiro

Cipriano Barata e o Jornal Sentinella da Liberdade
Ana Regina Rêgo

A imprensa nas colônias de expressão portuguesa: principal bibliografia
Antonio Carlos Hohlfeldt

A liberdade de imprensa em questão no Portugal vintista: as Cartas de José Agostinho de Macedo a Pedro Alexandre Cavroé
Jorge Pedro Sousa

Entre embates e a política no século XIX: o início do jornalismo no Maranhão (1821-1823)
Roseane Arcanjo Pinheiro

E o Trofél Imprença da semana, na categoria Pinguço, vai para....


a medúla osséa do JB Online

Ilibados vereadores da capital gaúcha promovem pesca rendosa no Pontal do Estaleiro

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Porto Alegre cria o Pontal da Propina à beira do Guaíba


O PONTAL DAS AJUDINHAS

Juremir Machado da Silva - Correio do Povo

Está longe de terminar a polêmica em torno do projeto Pontal do Estaleiro, cuja aprovação pelos nossos representantes municipais, em meio a um clima de Bombonera, deixou seqüelas. Houve xingamentos, insultos, disputas, ameaças e lances discutíveis e extremamente discutidos. Boatos não faltaram de que houve isto e aquilo, que é como se chama 'aquilo' que não quer se denominar de 'isto' por falta de provas ou de interesse. Telefonei ontem para Cláudio Sebenelo, vice-presidente da Câmara de Vereadores, com a intenção de entender um pouco melhor o desfecho do episódio. Ele me contou uma historinha que dá muito a pensar. Cada um que tire as suas conclusões tranqüilamente.

Em agosto, ou começo de setembro, um enviado da BM PAR, a empresa que comprou a área do Estaleiro Só com o fim de construir ali um condomínio de ricos e faturar com a mudança da lei em vigor, procurou Cláudio Sebenelo e ofereceu ajuda financeira para a sua campanha eleitoral. Como qualquer candidato, Sebenelo estava com pouco dinheiro. Como em qualquer eleição, o dinheiro é decisivo. O enviado generoso não estabelecia condições nem expectativas. Nada propunha, nada pedia, nada sugeria, nada cobrava. Tudo ficava implícito. Sebenelo diz ter explicado ao autor da oferta que não podia aceitar ajuda de uma empresa interessada na aprovação de projetos pela Câmara de Vereadores. Elementar! É o que se chama de recusa ética.

Sebenelo não se elegeu. Ficou como primeiro suplente. Votou contra o Pontal do Estaleiro. Está agora preocupado com a imagem da Câmara de Vereadores junto à opinião pública. Garante estar pronto para repetir a sua história ao Ministério Público. Ninguém duvida da existência de homens sérios entre os políticos. Generalizações não são pertinentes. Mas também é certo que quando os lobistas circulam à vontade entre parlamentares e oferecem ajuda, não é simplesmente por apreço à cor dos olhos de cada um. Como adoram dizer os liberais, com muita razão, não existe almoço grátis. Muito menos ajudinha eleitoral desinteressada. Ainda mais quando dorme nas gavetas do parlamento um projeto decisivo e rentável a ser aprovado depois das eleições. Faz muito que a filosofia sustenta um primado simples: não há conseqüência sem causa. Nunquinha!

A historinha de Cláudio Sebenelo poderá servir de subsídio ao prefeito José Fogaça na hora de tomar a sua decisão quanto à lei aprovada pela Câmara de Vereadores. O bom senso indica-lhe uma só coisa a fazer: vetar. Na falta de luz suficiente para o exame transparente dos fatos, obscurecidos por interesses diversos e gananciosos, nada melhor do que abrir uma nova janela para o debate público. Se Fogaça vetar, a Câmara pode ter a grandeza de render-se. Um plebiscito seria o melhor caminho para resolver o caso. Nisso tudo, porém, ficam três perguntinhas ingênuas, infantis, simplórias: não caberia uma CPI do Pontal? Será que o enviado da BM PAR só ofereceu ajuda a Cláudio Sebenelo? Não lhe teria ocorrido a idéia de oferecer o mesmo apoio financeiro a outros necessitados? Perguntar, como dizia o bordão de um ex-humorista, não ofende. Aquilo que ofende muito é a falta de respostas. Com quantas ajudinhas se faz um pontal? Só!

Cumprimento da moda na câmara de vereadores porto-alegrense






Valeu, mano!


Irado!

Vereador consulta as bases do Pontal do Estaleiro

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Quando o silêncio diz tudo



Do Kibeloco

O programa italiano "Questa Domenica", apresentado por Paola Perego, tinha políticos em dois estúdios. Em um deles, parlamentares eram sabatinados por crianças. No outro, a própria Paola fazia perguntas para o ex-presidente do senado e ex-primeiro-ministro Giulio Andreotti.

Tudo corria bem até Paola perguntar a Andreotti sobre o futuro das crianças...

Tomadas as devidas providências

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Fabulações do filósofo Divino Habsburgo pelos bosques da reflexão





Das adequações do conceito República na roda-viva do tempo:

Do res publica romano ao rês pública contemporâneo

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Gaúcha catarinense ganha o concurso da bunda mais bela do mundo



Agência EFE

A brasileira Melanie Nunes Fronckowiak, 20 anos, foi a grande vencedora do campeonato internacional de bumbuns, organizado pela marca de roupas íntimas Sloggi da Triunph.

O desfile realizado nesta quarta-feira em Paris contou com 45 finalistas de 26 países, que fizeram pose na passarela para convencer os jurados de que seu bumbum era o mais bonito do mundo.

Melanie é modelo (jaz fez muitos comerciais de Tv), estuda jornalismo e vive em Pelotas, onde sua vó é vereadora. Mesmo tendo nascido em Araranguá/Sc ela é filha e se considera gaúcha. Ela havia vencido a etapa brasileira em outubro. Ano passado melanie foi vice no Miss Brasil Mundo. Os escolhidos ganharam um contrato como modelos e prêmio de cerca de R$ 43 mil.

e aqui um texto da eleita



Diário Popular - Pelotas - Edição do dia 8/12/2006

Artigo:

Era um sábado, primeira hora da tarde, o sol escaldava e na fila do serviço de lava-carros as pessoas esperavam. A minha frente, um senhor monitorava, ao lado do lavador, os locais ainda sujos e não demorou muito para vir falar comigo. Pareceu-me, no primeiro momento, um exímio conhecedor da história do Rio Grande do Sul. À medida que o assunto evoluía e os meus conhecimentos não coincidiam com os seus ele falava: “Vai estudar menina.” Eu apenas ouvia; curiosa, atenta, o conhecimento de alguém com idade para ser meu avô.

Em determinado momento, a conversa recaiu sobre Pelotas e não me lembro por qual viés estreitou-se às instituições carentes. Foi então, que o aparente historiador me disse: “-Ah! Aquela magrinha, por exemplo, da tal instituição, enriqueceu às custas dos pobres e por eles foi colocada na Câmara de Vereadores.” Confesso que, surpresa, calei e resolvi escutar. Espantei-me com a convicção com que ele descrevia, equivocadamente, essa senhora, vereadora e minha avó. Ouvi-o ainda comentar que ninguém cuida de criança pobre se não for para ganhar uma boa “recompensa”. “Tu farias isso? Pois eu não, se não fosse bem pago, nunca!” A partir disso, admito não me lembrar de mais nada do que era a mim dito. Afinal, não me interessava o conhecimento de um homem que tudo sabe sobre a formação rio-grandense e desconhece o que ocorre na esquina da sua cidade.

Eu fiquei a me lembrar da senhora essa, magrinha. Pensei que gostaria mesmo que ela tivesse enriquecido, não às custas de alguém, mas pelo tanto que ela sempre fez pelos outros. A imagem de minha avó me ensinando os movimentos da Terra com duas laranjas me veio à mente. Lembrei tudo o que aprendi e aprendo com ela até hoje. A ética que ela passa com suas ações e a sua dignidade. O respeito que ela tem para com os outros e a incapacidade, que eu só encontro nela, de julgar alguém por sua cor, posição social ou religião que professa.

Resolvi que não falaria nada. Julguei inútil e desnecessário mostrar àquele senhor, cheio da sua descartável verdade, tudo o que conheço dessa “tal senhora” formulada, erroneamente, a partir de seus “amplos” conhecimentos. Sei somente, que minha avó desenvolveu um trabalho social durante anos e depositou, boa parte da sua vida, na instituição referida sem interesse financeiro algum. Através da sua competência e dedicação foi eleita para a Câmara de Vereadores e desenvolve, agora, um excelente trabalho frente a uma grande secretaria da cidade. Voltada ao social, como não poderia ser diferente.
Chegara a minha vez, vidros fechados e a água a escorrer retirando a poeira do carro. Espantei-me com a facilidade que as pessoas podem ter de julgar sem conhecer, de idealizar, de acordo com o que convém, uma imagem negativa, não se certificar da sua veracidade e sair a construí-la com os tijolos da burrice. Certamente, este nosso grande sabedor nunca viu esta senhora, de 80 anos, na parada de ônibus, logo cedo, embarcando e pagando a sua passagem (todas as pessoas que podem pagar deveriam fazê-lo, como ela mesma justifica) diariamente rumo ao trabalho. Pode-se mesmo dizer que ela enriqueceu?

É possível construir e destruir uma imagem em instantes. Pois agora ia, no seu Fiesta vermelho e lustroso, um ex-sábio e historiador. Dirigia o seu carro, dono de si, alguém submerso, por opção, na ignorância. Certamente, ele poderia me dar uma excelente aula de história. Eu, no entanto, com o meu conhecimento de “menina que não estuda”, poderia lhe dizer que é muito triste ver alguém que enxerga optar pela escuridão. E que este tipo de alienação, antes de qualquer coisa, é responsável por anular e desmerecer os mais sábios acadêmicos.

Melanie Nunes Fronckowiak
Estudante

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

No aguardo






Por enquanto, ela oscila pelas fases Poodle amarelinho e Canarinho belga

O jornalismo vagabundo




Quando até uma adolescente retardada vira celebridade

e o jornalismo estrábico



Só rindo








"Alunos reclamam da falta de estrutura dos cursos em Canoas" é simplesmente fantástico

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Circo da Notícia


PAUTA DA HORA

Barack Obama e o primeiro-cachorro

Por Carlos Brickmann em 11/11/2008

O novo presidente dos Estados Unidos prometeu dar um cachorro às filhas, para compensá-las pela mudança de Chicago, onde tinham sua vida e suas amigas, para Washington. Prometeu também que, diferentemente do que ocorreu durante a longa campanha à Presidência, reservará muito mais tempo para ficar com a família. Vão até, como antigamente, jantar todos juntos com freqüência.

Isto é o que se sabe, o que os meios de comunicação divulgaram sobre o novo ocupante da cadeira mais poderosa do mundo. O que ele pensa ainda não foi divulgado: como pretende enfrentar a crise econômica, como lidará com as ambições nucleares do Irã, que caminho seguirá para enfrentar o terrorismo, de que maneira buscará melhorar as relações com a Rússia, que estão no pior nível desde que a União Soviética se dissolveu.

E a energia? Parece estar claro que boa parte da alta do petróleo, há alguns meses, se deveu à especulação financeira, e isso sangrou as finanças não apenas dos Estados Unidos, mas também de nações muito pobres. Quais as idéias do presidente a respeito de petróleo, álcool, biocombustíveis em geral, aquecimento global? Pretende lutar pelo álcool de milho, prejudicando os países produtores de cana? Que é que pode acontecer com a aplicação dessas idéias no relacionamento com a América Latina e, especialmente, o Brasil?

O jornalista Luis Weis, sempre preciso, definiu a cobertura jornalística dos primeiros dias após a eleição de Barack Obama como "onda Caras na comunicação de massa" (ver "Os Obamas vão jantar juntos!"). E não deve ser muito difícil, para quem estiver disposto a pesquisar a vida política de Obama, encontrar aquilo que pensa sobre alguns assuntos de interesse mundial. Mas o primeiro-cachorro (que será um vira-latas, segundo informou o presidente eleito) sem dúvida tem mais charme.

A cobertura das eleições pela imprensa brasileira foi ótima: até as previsões deram certo. Falta completá-la, agora, com as idéias do presidente eleito.


As contas, lá e cá

A cobertura foi ótima, mas quem disse que foi perfeita? As contas, por exemplo, parecem ser um dos pontos fracos também dos jornalistas lá de fora (afinal, se eles soubessem fazer contas, estariam ganhando dinheiro, em vez de botar uma letrinha atrás da outra). As primeiras notícias da TV mencionavam 1 milhão de pessoas no comício da vitória de Barack Obama, num parque de Chicago. Um pouco depois, o número já era de meio milhão. Mais tarde, 300 mil. A última notícia era de 100 mil.

Aquela continha simples – mede-se a área e, conforme a concentração de público, calcula-se de uma a seis pessoas por metro quadrado – ficou de lado.


Preconceito, de novo

É difícil ser mulher, também na política. De homens a imprensa diverge, com homens os jornalistas debatem, as brigas são imensas, mas normalmente a intimidade é preservada. Com mulheres é diferente. Um colunista, pouco antes das eleições, criticou as posições políticas de Sarah Palin, a vice da chapa republicana de John McCain, usando uma expressão chula – a tal ponto chula que os próprios jornais em que a coluna foi publicada deveriam evitá-la. Seriam as expressões chulas absolutamente necessárias – digamos, a reprodução do que a candidata tivesse dito, ou a transcrição de uma troca de insultos? Não: expressões civilizadas, urbanas, educadas, seriam sinônimos perfeitos daquilo que foi escrito. A escolha foi deliberada, apenas porque a vice era mulher. Coisa feia!


Dica

Vale a pena visitar o ProjetoSecreto. Traz idéias interessantes sobre uso de internet em campanhas políticas, idéias já testadas no exterior (e vitoriosas com Barack Obama).


Denúncia vazia

Há cerca de 60 anos, um tcheco que trabalhava para a espionagem americana foi preso em Praga. Agora, uma revista tcheca informou que, segundo os arquivos da época, quem denunciou o espião foi o hoje escritor Milan Kundera (A Insustentável Leveza do Ser), na época com 20 anos de idade. Kundera diz que jamais havia ouvido falar nessa história. Quem o conhece confirma: Kundera não é dedo-duro, jamais teve algo a ver com serviços secretos (ver, neste Observatório, "Escritor acusado de dedo-duro").

E daí? Daí, nada. Embora a revista tcheca não tenha feito qualquer acusação contra ele, informou que a notícia existia nos arquivos de 1950. Para boa parte da opinião pública, é suficiente: alguma ele aprontou. É o mesmo fenômeno que ocorre quando alguém é preso e prova sua inocência: quem acredita inteiramente nele? É como a história do rapaz que, certa vez, salvou uma velhinha que estava sendo assaltada por dois bandidos. Um mês depois, alguém o reconheceu na rua e perguntou: "Não foi o senhor que esteve envolvido no assalto a uma velhinha?"

Que fazer, então? Fingir que a notícia não existe? Este é um tema interessantíssimo de debate jornalístico: como lidar com esse tipo de notícia. Todos têm certeza de que Kundera não tem nada a ver com espionagem, mas ao mesmo tempo é fato que a informação está no arquivo. Além de tratar cada caso com a máxima cautela, que mais um jornalista pode fazer para evitar o assassinato de reputações?


Como lidar com a denúncia

Neste momento, a propósito, um jornalista de Brasília fez uma série de denúncias contra uma personalidade ligada à política brasileira, incluindo números que seriam de contas bancárias clandestinas no exterior. Até o momento, aparentemente, a tática utilizada pelo cavalheiro denunciado é a do silêncio: não se manifestou. Talvez esteja preparando alguma ação judicial, mas ainda não houve nada público nesse sentido (não anunciou, por exemplo, que recorreria à Justiça). As denúncias foram feitas publicamente, por jornalista plenamente identificado. E, de maneira surpreendente, ninguém foi ainda ouvir o acusado. Se a denúncia é vazia, sonegam-lhe o direito de se defender; se acreditam que o acusador não é idôneo, mais um motivo para oferecer espaço e tempo para a defesa.

Ou será que manter-se em silêncio é a melhor tática para que eventuais acusações sejam esquecidas?


Abaixo de zero

Está saindo nos jornais e revistas um anúncio fantástico, de uma importadora de carros coreanos: informa que já recebeu o subsídio do governo e, por isso, pode oferecer juros mais baixos.

Acontece que, até agora, esta importadora oferecia seus carros a juros de 0% ao mês – exatamente, zero por cento. Este colunista talvez tenha faltado a alguma aula importante, mas como é que a importadora vai fazer para oferecer juros mais baixos? Vão pagar algum para quem comprar carro a prazo?


Good news are no news

O presidente Lula, em Tucuruí, no Pará, se queixou de que a imprensa prefere as notícias ruins, "como se nada acontecesse de bom no país". O presidente tem toda a razão – só que as coisas são assim mesmo. Ninguém vai noticiar que 16 milhões de passageiros de ônibus chegaram normalmente ao destino. Notícia é quando, destes 16 milhões, dez se machucam num acidente. Ninguém vai noticiar que, dos prédios de mais de três andares construídos nos últimos 30 anos, nenhum apresenta defeito estrutural. Mas experimente um deles desabar. Os meios de comunicação destacam os acontecimentos não-normais. Como dizem os americanos, "boa notícia não é notícia".

Há uma profusão de publicações, basicamente destinadas a noticiar a vida de pessoas famosas, que dão muitas notícias boas. Mesmo essas, entretanto, não perdem a chance de publicar que alguém bateu em alguém por causa de alguém.


Papel no chão

O que irritou o presidente não foi nada muito recente: foi a foto do ano passado, quando inaugurou obras em Tucuruí e o flagraram comendo um bombom e largando a embalagem no chão. O presidente que nos desculpe, mas ele mesmo, se estivesse vendo a TV, gostaria mais de ver o papel largado no chão ou o discurso de "nunca antes na história desse país"?


Como...

De um grande jornal:

"Além de terem roubado o carro da vítima (...), os assassinos fugiram com uma pasta que pertencia a Christóvão, cujo conteúdo será investigado pela polícia."

Se a pasta foi levada pelos assassinos, como irá a polícia investigar seu conteúdo?


...é...

Num importante portal noticioso:

** "Policiais fazem parto embaixo sob viaduto do Largo da Concórdia"

Isso é que é garantir um teto ao paciente: não apenas embaixo do viaduto, mas também sob ele.


...mesmo

De um press-release:

** "Mal humor pode ser doença e tem nome: distimia"

Também pode ter outro nome: texto "mau" cuidado.


Egoísmo

Veja só o que certa imprensa anda ensinando:

** "As nove regras para tomar chope do Editor do (...)"

Por que não deixar o editor tomar o chope dele em paz, e pedir outro para a gente?


E eu com isso?

E pensar que existe gente mergulhada na vida de Barack Obama, tentando descobrir seus pratos preferidos, o nome que será dado ao primeiro-cachorro, a escola que suas filhas irão freqüentar em Washington (e, claro, o tipo de proteção que lhes será oferecido, e que inevitavelmente vai atrapalhar sua vida social). Será que ele pedirá ao Congresso que suspenda o bloqueio a Cuba?

Mas há outras preocupações menos estressantes (até mesmo sobre o tema dominante nos noticiários, a eleição de Barack Obama)

** "Sem dormir direito, Obama curte vitória malhando na academia"

Há notícias sobre entomologia:

** "Abelhas conseguem contar apenas até quatro"

Pode-se também acompanhar a evolução do mercado imobiliário:

** "Escocês põe papagaio à venda e dá casa de brinde"

Estudar o comportamento humano:

** "Pink já colocou fogo em quarto durante sexo e bebedeira"

Ou esquecer todos esses temas sérios e preparar-se para conversas sem compromisso:

** "Demi Moore vai a festa de Halloween fantasiada de abóbora"
** "Marcelo Serrado busca filha no balé e encontra Ingrid Guimarães"
** "Beijoqueira, Daniele Suzuki almoça com o namorado"
** "Papa-defuntos bêbado persegue mulher"
** "Gilberto Gil passeia com mulher por Ipanema"
** "Fábio Assunção almoça sozinho na Barra"
** "Agente é processado por tirar sarro do tamanho do pênis de Pitt"


O grande título

Há coisas bem interessantes, que incluem uma excelente imitação de índio de filme americano:

** "Juiz ordena SP indenizar agente feito refém por presos"

Há um de construção complexa: é fácil entender o sentido, embora os detalhes fiquem um pouco confusos. Afinal, houve um foguete ou vários? Era foguete mesmo, ou ninguém tem muita certeza do que aconteceu?

** "Supostos míssil norte-americano mata 13 no Paquistão"

E um absolutamente impecável:

** "Berlim recebe obra que lembra cachorro de bexiga"

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uat iz dis?


Maior vilão da TV Digital é a falta de conhecimento sobre seus benefícios

Redação - InfoMoney

SÃO PAULO - "Se você, que é jornalista, está me fazendo todas essas perguntas, imagine o resto dos brasileiros". A colocação do vice-presidente do Fórum SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre), Móris Arditi, explica o maior desafio enfrentado pela TV Digital, hoje, no Brasil: falta de conhecimento.

Segundo Arditi, ainda existem muitas dúvidas e as pessoas não entendem as vantagens da TV Digital. Até por isso, um dos desafios para atrair mais usuários é a divulgação dos seus benefícios através da mídia.

Treinamento
Mas não basta que o usuário esclareça suas questões. Outros desafios citados pelo vice-presidente é o treinamento de lojistas, instaladores e também de antenistas.

Afinal, mais informados, os lojistas vão conhecer a tecnologia e estarão amparados para esclarecer as dúvidas dos consumidores.

Já os instaladores e antenistas precisam conhecer a TV Digital, para instalar corretamente o produto e, assim, proporcionar uma boa recepção.

Arditi ainda explica que a antena necessária para recepção do sinal, já que os canais digitais são UHF, não requer sofisticação, e sim equipamento correto, por isso a necessidade de conhecer a tecnologia.

Expansão de cobertura
Além de espalhar informações e treinar adequadamente o pessoal do ramo, ainda existem outros desafios que a TV Digital deve enfrentar para conquistar mais usuários.

Para alcançar mais pessoas e mais cidades, é preciso que se expanda a cobertura nacional. Segundo o executivo, até o fim de 2008 serão 20 milhões de pessoas com potencial para ter a TV digital, um montante que representa o dobro da população do Chile e só 10% da do Brasil.

Arditi explica que, embora as adoções digitais estejam adiantadas em relação ao calendário, esse é um fenômeno gradativo, pois as emissoras precisam de dinheiro para realizar a troca de sistema e ainda faltam incentivos, principalmente para as pequenas empresas.

Interatividade
Outro atrativo para os consumidores aderirem à TV Digital é a prometida interatividade, que ainda não foi implantada no País. De acordo com o Arditi, a expectativa é que a comercialização inicie em meados de 2009.

Ele explica que a Ginga - tecnologia da interatividade - já está toda especificada (salvo pequenas discussões, como se terá parte Java desde o início ou não, mas que não atrasam a implementação) e, agora, passa por fase de implantação e testes.

Assim, com o início da interatividade, já existirá a possibilidade de realizar transações financeiras, como consulta ao saldo e doc, só dependendo de as instituições financeiras (bancos e operadoras de cartão) proporcionarem o serviço aos clientes, bem como que o usuário adquira aplicativo específico.

Expansão internacional
Arditi ainda destaca que a divulgação do sistema de TV Digital deve ser feito para países vizinhos, a fim de que eles adotem a tecnologia usada no Brasil.

Primeiro, porque essa adoção levaria a indústria brasileira a exportar os equipamentos necessários para recepção e distribuição do sinal. Segundo, que, quanto maior o campo de cobertura, melhor, já que os moradores das fronteiras seriam beneficiados.

Televisores digitais
Assim, entre informação, treino de vendedores e instaladores, expansão nacional e internacional e a interatividade, a TV Digital ainda tem alguns bons desafios a enfrentar e alcançar todo o Brasil.

Entretanto, Arditi destaca que esta é uma tecnologia nova, ainda cara, penosa e lenta, mas que, com o tempo, isso vai mudar. Assim como o celular e o aparelho DVD tiveram dificuldades e preços altos no princípio, futuramente a TV Digital será acessível tanto financeiramente quanto localmente.

A tendência é que os televisores venham com set-top box embutido. "No futuro, os televisores serão digitais, como todos hoje são coloridos e não se encontra mais o preto e branco", avalia o vice-presidente.

Finalistas do Esso 2008


Prêmio Esso de Jornalismo 2008 divulga os trabalhos finalistas

Redação Portal IMPRENSA

Nesta sexta-feira (07), as comissões de seleção do Prêmio Esso de Jornalismo 2008 divulgaram os finalistas nas 13 categorias existentes. Os vencedores deste ano serão conhecidos no próximo dia 9 de dezembro, durante uma cerimônia de premiação no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Ao todo, 25 profissionais de jornais e revistas brasileiros examinaram 1.090 trabalhos de texto, fotografia e criações gráficas, para indicar 35 finalistas. Outros sete jurados que integraram as duas comissões de mídia eletrônica indicaram os três finalistas ao Prêmio Esso de Telejornalismo, após o exame de 88 trabalhos.

A escolha final dos vencedores de jornais/revistas caberá a uma Comissão de Premiação especialmente constituída para esse fim, e a designação do vencedor no telejornalismo competirá a uma Comissão de Julgamento com cinco integrantes. A indicação da foto vencedora do Prêmio Esso de Fotografia será feita via Internet por uma Comissão Especial de 50 jurados que votarão em um dos cinco trabalhos selecionados e adiante indicados.

Confira a relação de finalistas:

1 - Prêmio Esso de Reportagem
Elvira Lobato, com "Universal chega aos 30 anos com imprério empresarial", do jornal Folha de S.Paulo; Eliane Brum, Solange Azevedo e Renata Leal, com "Suicídio.com", da revista Época; Paulo Motta, Carla Rocha, Cristiane de Cássia, Dimmi Amora, Fernanda Pontes, Luiz Ernesto Magalhães, Selma Schmidt, Sérgio Ramalho e Angelina Nunes, com "Favela S/A", do jornal O Globo.

2 - Prêmio Esso de Fotografia
Luiz Vasconcelos, com "Expulsos da Terra", do jornal A Crítica; Ricardo Saibun, com "Um sonho adiado", do jornal Diário de S.Paulo; Marcos Michael, Rodrigo Lôbo e Renato Spencer com "Vidas invisíveis - A indiferença que mata", do Jornal do Commercio; Clóvis Miranda, com "Martírio no presídio", do jornal A Crítica; Marcelo Regua, com "Retrato trágico do Brasil das armas", do jornal O Dia.

3 - Prêmio Esso de Informação Econômica
Tiago Lethbridge e Juliana Vale, com "O ano da China", da revista Exame; Raul Pilati e equipe, com "Quando o Brasil cresce..." do Correio Braziliense; Fabiana Ribeiro, Lino Rodrigues, Higino de Barros e Henrique Gomes Batista, com "Desemprego zero", do jornal O Globo.

4 - Prêmio Esso de Informação Científica, Tecnológica e Ecológica
Eliane Brum, com "A enfermaria entre a vida e a morte - a mulher que alimentava", da revista Época; Mariangela Hamu Fonseca e equipe, com "Amazônia - ainda é possível salvar?", do jornal O Estado de S. Paulo; Túlio Brandão, Daniel Engelbrecht, Elenilce Bottari e Paulo Marqueiro, com "A impunidade é verde", do jornal O Globo.

5- Prêmio Esso de Primeira Página
Paulo Oliveira, Vado Alves, Pierre Timotheo e Fernando Vivas, com "Tragédia em sete atos", do jornal A Tarde; João Bosco Adelino de Almeida, Leni Reis, Carlos Alexandre, Ana Dubeux, Carlos Marcelo Carvalho, Luis Tajes e Plácido Fernandes, com "Como fica Cuba sem Fidel", do jornal Correio Braziliense; Breno Girafa, Luisa Bousada, André Hippertt, Ana Miguez e Alexandre Freeland, com "Cientistas brasileiros fazem alerta: mais terremotos vêm aí", do jornal O Dia.

6 - Prêmio Esso de Criação Gráfica - Jornal
Andrea Araujo, Amaurício Cortez, Cecília Andrade e Luciana Pimenta com "Dragão Chinês", do jornal O Povo; Kacio Pacheco, com "O homem que não estava lá", do Correio Braziliense; Renata Steffen, Fernanda Giulietti, Ivan Finotti e Alexandre Jubran, com "Cigarro e álcool na adolescência", do jornal Folha de S.Paulo.

7 - Prêmio Esso de Criação Gráfica - Revista
Ivan Luiz, Breno Girafa, Carlos Mancuso, André Provedel, Boni, Gustavo Moore e Raquel Vásquez, com "200 anos - A família real, uma coleção em formato de revista", do jornal O Dia; Josi Campos, Carlo Giovani, Fabiano Silva e Rodrigo Ratier, com "Quando a máquina dá pau", da revista Superinteressante; Rodrigo Ratier, Naila Okita e Bruno Oliveira, com "Nomes do mundo", da revista Superinteressante.

8 - Prêmio Esso Interior
Iara Lemos, com "No coração do Haiti", do jornal Diário de Santa Maria; Rodrigo Lima, com "Rio Preto fichada", do jornal Diário da Região; Sammya Araújo e equipe, com "Escândalo", do jornal Correio Popular.

9 - Prêmio Esso Regional 1
Luiz Henrique Campos, Demitri Túlio, Cláudio Ribeiro, Rafael Luis e Fátima Sudário, com "Desertos do sertão e chuvas do sertão", do jornal O Povo; Silvia Bessa e Marcionila Teixeira, com "Hanseníase", do jornal Diário de Pernambuco; João Valadares e Eduardo Machado, com "Vidas Invisíveis", do Jornal do Commercio.

10 - Prêmio Esso Regional 2
Alana Rizzo, Thiago Herdy, Maria Clara Prates e Equipe, com "Sangria na saúde", do jornal Estado de Minas; Ana Beatriz Magno e José Varella, com "Os brinquedos dos anjos", do jornal Correio Braziliense; Itamar Melo e Patrícia Rocha, com "A epidemia do crack", do jornal Zero Hora.

11 - Prêmio Esso Regional 3
Fred Melo Paiva, com "Depois que morre, cabou-se", do jornal O Estado de S. Paulo; João Antônio Barros e Thiago Prado, com "Dossiê milícia", do jornal O Dia; Mauro Ventura, com "Tribunal do tráfico", do jornal O Globo.

12 - Prêmio Esso de Telejornalismo
Aldo Quiroga, Luiz Carlos Azenha, Julio Moreno, Carlos Wagner e José Vidal Póla Galé, com "Luta na terra de Makunaíma", veiculado pela TV Cultura; André Felipe Tal, Ricardo Andreoni, Jorge Valente e Marcelo Zanini, com "Dossiê Roraima: Pedofilia no poder", veiculado pela Rede Record; Fábio Diamante, Thiago Brunieira, Ronaldo Dias, Mônica D'Afonso, Andrey Cepeda, Pablo Santos Soares, Marcos Roberto Monteiro, Ailton Silva, Carlos Alberto Sertório e Majô Godim, com "Pirataria mande in Brazil", veiculado pelo SBT.

13- Melhor Contribuição à Imprensa
"Diário em Braille", do jornal Diário de Pernambuco.

O Prêmio Esso de Jornalismo destina este ano aos vencedores um total de R$ 109 mil, já deduzidos os impostos. Além do prêmio principal, que leva o nome do programa, fixado em R$ 30 mil, e do Prêmio de Telejornalismo, estabelecido em R$ 20 mil, serão distribuídos R$ 10 mil para as categorias de Reportagem e Fotografia, R$ 5 mil para cada uma das categorias de Criação Gráfica - Jornal, Criação Gráfica - Revista, Informação Econômica, Informação Científica/Tecnológica/Ecológica, Prêmio Esso Interior e Prêmio Esso de Primeira Página e R$ 3 mil para cada um dos três prêmios regionais.

Ditirambo semanal





"É o mesmo o sol de ontem ou é outro o seu fogo?" - Livro das perguntas - Pablo Neruda

domingo, 9 de novembro de 2008

Enxotem esta coisa daí


Decência inconstitucional

Cristovam Buarque

No ano em que a Constituição Brasileira completa 20 anos, a governadora Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, com apoio de outros quatro governadores, solicitou ao Supremo Tribunal Federal declarar a inconstitucional da Lei 11.738/2008. A Lei define o Piso Nacional para os salários dos professores e determina que o professor reserve um terço de sua carga de trabalho para atividades de preparação de aulas, estudos, acompanhamento de alunos.

A reação dos governadores é como se o Presidente de uma Província (como era chamado o governador da época) solicitasse, em 1888, a inconstitucionalidade da Lei Áurea, em nome da autonomia dos Estados. Com uma diferença: naquela época, o “governador” teria razão de se preocupar com a desarticulação da economia e das finanças de sua província, em função da libertação dos escravos de um dia para o outro. A economia ficaria sem mão-de-obra; seria preciso contratar novos trabalhadores. A Lei Áurea foi uma decisão ética com um custo econômico, no primeiro momento. A Lei do Piso é uma decisão ética, mas sobretudo fundamental ao desenvolvimento social e econômico do Brasil.

Os governadores reclamam porque precisam aumentar o piso para apenas R$ 950 e limitar o número de horas de aula a não mais de seis por dia. Salário ainda pequeno e carga horária ainda elevada.

Diferentemente de 1888, o custo da aplicação da Lei do Piso será escalonado, até 2010, e tanto menor quanto mais altos forem os salários atuais e quanto menor for a carga de aula do professor. Se, no Rio Grande do Sul, a implantação da lei do Piso exigir gastos educacionais elevados, a governadora Yeda Crusius deveria buscar a reorganização do seu orçamento para atender ao piso de R$ 950 e à carga de seis horas diárias. Se não fosse possível, seu dever seria liderar o povo gaúcho, especialmente os professores e os pais de alunos, para exigirem do Governo Federal, como está previsto na própria Lei 11.738, os recursos adicionais necessários. E se não recebesse resposta satisfatória, deveria entregar as escolas do Rio Grande do Sul à administração da União, federalizando-as, como se faz com universidades e escolas técnicas.

Isto está acontecendo com os bancos: para salvá-los, os governos centrais estão estatizando-os, diretamente ou de forma disfarçada. Mas para salvar as escolas, pede-se a inconstitucionalidade da lei. As crianças do Rio Grande do Sul merecem, no mínimo, o mesmo tratamento que os bancos.

Se o estado não tivesse recursos, a solução não estaria em considerar inconstitucional uma determinação que já deveria estar em vigor há décadas. A inconstitucionalidade é um recurso inadmissível: todos os estados e municípios aceitam o salário mínimo decidido pelo governo federal, aceitam pisos para diversas categorias, pagam aos seus deputados e juízes salários definidos por leis federais. Mas quando se trata do professor, recorre-se à autonomia de cada unidade da federação, como forma de não cumprir a lei.

No 20º aniversário da Constituição, os governadores desmoralizam a Carta Magna usando-a como barreira para não atender às necessidades da educação de seus estados. Em nome da autonomia estadual, tenta-se tirar a obrigação do Brasil de cuidar de suas crianças.

É triste ver que o século XXI não chegou para muitos dos líderes nacionais, que não entendem o papel da educação no mundo atual, no qual o principal capital é o conhecimento. Isso se explica pelo fato de nós – parlamentares, governadores e prefeitos – termos escolas privadas para nossos filhos. Por isso, seria tão importante aprovar o Projeto de Lei que está em tramitação no Senado e obriga todo eleito a colocar seus filhos na escola dos eleitores: a escola pública. Mas esse projeto certamente será considerado inconstitucional, ainda durante a tramitação.

Pobre Constituição, na qual a decência é considerada inconstitucional.

Cristovam Buarque é ex-reitor da UnB e senador pelo PDT do Distrito Federal