domingo, 31 de agosto de 2008

Waynau bii


O dia da índia Joênia

Flávia Tavares - O Estado de São Paulo

A primeira sustentação oral de uma indígena no STF teve nervosismo, ministro chorando e até sopa

Flávia Tavares, BRASÍLIA

"Essa beca tá curta!", dizia uma nervosa Joênia ao colega Paulo Machado Guimarães na porta do banheiro feminino do plenário do Supremo Tribunal Federal. A agitação da advogada era justificável. Ela precisava estar pronta para ouvir a decisão dos ministros sobre se poderia ou não fazer a sustentação oral de defesa dos seis povos que representa no caso Raposa Serra do Sol. Se eles deixassem, Joênia Batista de Carvalho, 34 anos, seria a primeira advogada indígena a falar ao STF. Se não, a frustração das dezenas de índios à porta da corte e a sua própria seria enorme.

O relator do processo, ministro Carlos Ayres Britto, acatou o pedido. E ela estava paramentada para o momento solene: o rosto pintado com tinta vermelha, em dois traços horizontais e um vertical em cada bochecha, representando "força e lealdade". A beca realmente um pouco curta, mas oficial o suficiente. Um tailleur preto com detalhes em lilás. Um sapato de salto não muito alto. Óculos, livros, um caderno vermelho de capa dura, desses que se usam nos primeiros anos escolares, contrastando com o laptop e o celular.

Do outro lado, estavam os representantes do Estado de Roraima, dos arrozeiros e dos senadores Mozarildo Cavalcanti e Augusto Botelho, requerentes pelo fim da demarcação contínua da reserva indígena. Os três advogados dessas partes falaram primeiro, incluindo o ex-chanceler Francisco Rezek. As sustentações foram incisivas, com momentos em que os índios foram chamados de "minoria pouco expressiva" e acusados de "furtar e roubar" os outros moradores da região. Doutora Joênia ouvia impassível. Fazia anotações e comentários com a amiga Ana Paula Souto Maior, advogada que a auxilia na causa das comunidades Barro, Maturuca, Jawari, Tamanduá, Jacarezinho e Manalai.

Da bancada de advogados, Joênia foi a última a falar. Tirou os óculos e caminhou até o púlpito em passos hesitantes. Surpreendeu os ministros ao abrir sua fala em wapichana, língua que leva o nome de seu povo. Numa casa onde se exibe o alemão, italiano, francês e inglês, sem contar o juridiquês, a advogada usou o seu idioma para decretar "Waynau bii" ou, em bom português, "Basta de violência". A voz trêmula do início foi dando lugar a um tom mais seguro conforme Joênia ia descrevendo o sentimento dos índios da região. "Temos 300 escolas, 5,6 mil alunos, 485 professores. E R$ 14 milhões circulam anualmente na reserva. Mas nossa economia não é contabilizada. Somos caluniados e discriminados dentro de nossa própria terra." Foram 10 minutos falando como num desabafo, com poucos termos técnicos, e o tratamento de "você" dispensado aos ministros. Mas depois ela revelou que isso era estratégico. Os outros dois advogados de defesa - José Antonio Toffoli, pela União, e Paulo Machado Guimarães, pela comunidade Socó - fariam a sustentação mais embasada. Ela estava ali para contar como os índios vêem e sentem a situação.

Podia falar com conhecimento de causa. Desde criança, quando seus avós foram trabalhar nas primeiras fazendas das redondezas de Boa Vista e forçados a aprender o português, ela já ouvia o "tira cerca, bota cerca" que marcaria sua adolescência. Sua comunidade decidira que ela deveria ser professora, para ajudar a educar os indiozinhos que lutariam pelas terras da reserva no futuro. Mas, quando a irmã mais velha morreu ao dar à luz, segundo Joênia por negligência do hospital, ela decidiu que queria fazer mais, à revelia dos líderes wapichanas. Seria advogada. Mudou-se com a mãe para a capital - o pai ficou para trás por não aceitar viver na cidade grande. Estudou por conta e passou em quinto lugar no vestibular da Universidade Federal de Roraima. Na sala de aula, toda vez que a questão indígena era trazida à tona, os colegas olhavam imediatamente para ela. Eram, em sua maioria, filhos de políticos e fazendeiros.

Dois anos depois de formada, em 1999, foi chamada ao conselho dos "tuxauas", os líderes das comunidades - todos homens -, para receber as honrarias e a missão de cuidar de seus irmãos. "Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Mas, se eu não tomo cuidado, minha vida pessoal teria fim ali mesmo. Eles queriam dar palpite em tudo", ri-se com seu rosto esparramado. Até o casamento dela com um comerciante "mestiço", com quem tem dois filhos (Cristina, de 13 anos, e Jacson, de 11), já foi pauta.

Desde então, Joênia defende 268 comunidades, atuando pelo Conselho Indígena de Roraima, o CIR. O exemplo da advogada foi seguido por seu irmão, Olavo, que, atualmente, estuda engenharia florestal na Universidade Federal de Brasília (UnB). "Logo eu, que sei tudo de mato... Mas preciso do diploma", dizia, na porta do STF, enquanto esperava a irmã caçula se desvencilhar de dezenas de jornalistas.

Quando o ministro Ayres Britto terminou a leitura de seu voto de 108 páginas, favorável à demarcação contínua da reserva e à causa de Joênia, ela sorriu e comemorou com um olhar para trás, de cumplicidade, para a senadora e ex-ministra Marina Silva. O ministro Carlos Alberto Direito pediu vista do processo, o que já era esperado por Joênia. Os rumores de que isso aconteceria circulavam no plenário desde o almoço. Já sem tinta vermelha no rosto, "que se espalhou, deixando meu rosto mais vermelho", a advogada foi imediatamente ter com os cerca de 30 índios que puderam assistir à sessão ali dentro. Ela explicou que "o jogo está um a zero para nós". Mas tinha dúvidas sobre um trecho do voto de Ayres Britto. Correu para falar com o ministro, esclareceu a questão e ouviu de sua excelência: "Você foi maravilhosa, Joênia. Eu até chorei". Em seguida, um conselho. "Agora, você não pode fazer gol contra, dar tiro no pé. Tem de ser cuidadosa." No que foi complementado por Marina Silva, amiga de outros tempos de Joênia: "Seja diplomática!" Os outros ministros já haviam deixado o plenário e não pareciam tão entusiasmados quanto o relator.

Os índios que tiveram de esperar do lado de fora estavam ressentidos. Joênia não tinha saído na hora do almoço para dar informações sobre a sessão.Deixaram a mágoa de lado para comemorar o primeiro voto favorável. "Foi preciso que uma wapichana, guerreira, fosse defender os macuxis", brincava a advogada, lembrando uma rixa antiga que diz que os macuxis, por ser maioria, não se importavam com outras etnias. Passando a mão nos cabelos negros, ela conta que os macuxis queriam "roubar" as mulheres wapichanas, tão formosas. Parece que, desde um conselho entre os tuxauas em 1971, a rivalidade não existe mais. Eles se uniram para tentar impedir que as terras lhes fossem tiradas.

Exausta, Joênia pegou uma carona com o ator e decano da militância petista Sérgio Mamberti e foi tomar uma sopa. Estava faminta. No dia seguinte, participaria da posse do novo ministro da Cultura, Juca Ferreira. Na sexta, voltaria para Boa Vista. Temerosa, porque já foi ameaçada algumas vezes e perseguida outras tantas, por homens em motocicletas. Mas continuava a repetir o discurso que lhe fora recomendado pelo ministro do STF e pela senadora: "Estou confiante". Discurso que terá de repetir muitas vezes, porque não há previsão para o fim desse julgamento.

O Estado da Mãe Joana


Nepotismo se ramifica em todos os escalões do poder público

Levantamento revela vários casos de parentes de deputados, vereadores e governantes nomeados sem concurso


Caio Castro Lima - Gazeta do Povo

O número de familiares de autoridades empregados nos diversos poderes públicos no Paraná é bem maior do que se tem notícia oficialmente. São, por exemplo, parentes de deputados estaduais e federais trabalhando no governo do estado, de vereadores de Curitiba nomeados na prefeitura e de secretários de estado atuando no Executivo.

Um levantamento feito pela Gazeta do Povo, com informações do próprio governo do estado e dos demais poderes, revela que o emprego de parentes se proliferou nos órgãos públicos paranaenses. A imensa maioria dos políticos nega que tenha indicado o familiar para algum cargo.

Alguns parlamentares alegam que não há nepotismo cruzado porque não está havendo a recíproca do emprego de parentes do governador ou do prefeito em seus respectivos gabinetes. E há ainda os secretários de estado e do município e diretores que se defendem dizendo que seus parentes não foram nomeados por eles, mas pelo chefe do Executivo.

Para que esses argumentos sejam aceitos, será preciso que o Tribunal de Justiça do Estado (TJ) ou o Supremo Tribunal Federal (STF) sejam consultados oficialmente. Para isso, é preciso que se entre com uma denúncia no Ministério Público Estadual (MP) ou diretamente no Supremo. Os casos serão julgados um a um. A Súmula Vinculante nº 13, que proibiu o nepotismo – publicada no Diário Oficial da última sexta-feira –, deixou algumas brechas interpretativas.

Nessa situação se encaixa Stefanie Freiberger, nora da secretária estadual de Cultura, Vera Mussi. Ela é a diretora do Museu da Imagem e do Som (MIS), vinculado à pasta dirigida pela sogra. Na interpretação de Stefanie, ela poderia ficar na função, uma vez que não foi a sogra quem a nomeou, mas sim o governador.

A mesma explicação é usada pela prefeitura de Curitiba para os casos de Lúcia Jovita Inácio, secretária do prefeito Beto Richa, e Cristiano Mazalli, diretor administrativo e financeiro da Curitiba S.A.. Eles têm irmãos empregados na administração curitibana. A alegação é a de que não foram eles os responsáveis pelas nomeações. Quanto a familiares de vereadores atuando na prefeitura, a Procuradoria-Geral do Município vai analisar caso a caso.

Para o professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Mamede Said, a partir do momento em que foi publicada a Súmula do STF Stefanie não pode mais estar à frente do MIS. “O documento veda o nepotismo. Portanto, a nora (de Vera Mussi) não pode atuar em um cargo de confiança subordinada à sogra.”

Já a interpretação do que é nepotismo cruzado, de acordo com o STF, não se limita apenas ao fato de haver reciprocidade na contratação de parentes. Para os ministros, a troca mútua de nomeações é a forma clássica. Mas existe ainda a troca de favores, como o caso de um parlamentar ser da base de apoio do chefe do Executivo e ter parentes no governo. Para o deputado estadual Antônio Anibelli, do partido de Requião, essa interpretação é equivocada. Ele tem o filho na Secretaria Estadual dos Transportes. “Meu filho tem vida própria, é militante do partido e não houve interferência minha na nomeação. Filho de deputado agora não pode trabalhar; tem de ser ladrão, maconheiro ou vagabundo?”, diz.

sábado, 30 de agosto de 2008

Favela News


Inventando moda

Fabiana Oliveira - Viva Favela

Veículo geralmente utilizado como meio de transporte, lazer e/ou competições desportivas, as bicicletas pipocam por todo mundo nos mais variados tamanhos e estilos. Descontente com os modelos que a grande indústria lança, o morador da Comunidade BNH de Santo Aleixo, em Magé, na Baixada Fluminense, Paulo Cesar, 35 anos, decidiu criar suas próprias bikes:

“Já fiz modelos de tudo quanto é tipo. Tem bicicleta que dobra no meio, com bateria para iluminação, uma com banco de três metros de altura, com step e com tanque de ar para buzina usando tanque de gás de geladeira”, diz ele, esforçando-se para recordar tantas invenções.

Muitas das coisas citadas podem parecer impossíveis para uma bicicleta, mas esta palavra passa bem longe do dicionário de Paulo Cesar. Segundo ele, o único critério utilizado nas criações é que uma seja bem diferente da outra.

Tem bicicleta até com freios de mão e de pé iguais aos de carros, com direito a alavanca e tudo. Paulo Cesar faz questão de ser o primeiro a testar e desfilar pela comunidade em todas elas e como não poderia deixar de ser, toda essa parafernália é de parar o trânsito.

“Um dia subi a serra de Teresópolis com a de três metros de altura. Aí um passava e pedia para tirar foto, outro também, quando fui ver a serra estava um bom pedaço engarrafada. A polícia rodoviária interviu e disse para eu não mais passar com ela por ali”, conta.

Tudo começou há cerca de cinco anos, quando Paulo começou a trabalhar numa oficina de carro. Com o material que sobrava, ele foi utilizando para montar suas bicicletas diferentes. Ele conseguiu vender todas as suas criações, mas ainda trabalha “fazendo um pouco de cada coisa” para sobreviver:

“Meu sonho mesmo é me dedicar a montar bicicletas diferentes e se possível, as próximas serão motorizadas”.


A casa ecológica

Não muito longe da oficina onde Paulo Cesar trabalha, uma construção um tanto quanto inusitada chama atenção de quem anda pelas ruas do BNH de Santo Aleixo: é uma casa com três paredes inteiras construídas com garrafa pet.

No local funciona há três anos a sede do grupo Ecologic Bike, que tem como lema “pedalar pela preservação ecológica contra a fome, miséria e pela vida”. Carlos Alberto da Silva, presidente da organização, diz que construir as paredes com as garrafas é bem mais vantajoso.

“Temos uma claridade muito boa dentro da sala. Além disso, não gastamos nem, R$ 25 nas paredes. Se tivesse que fazer uma de alvenaria ia ter que usar tijolo, cimento, areia, terra. Aqui só tem arame, barbante e garrafas pet”, diz.

Além da economia o tempo para levantar cada parede também é bem mais rápido. Carlos diz gastar menos de um dia para fazê-las, claro, com a ajuda de outros membros da Ecologic. A idéia agradou tanto, que já tem pessoas na comunidade juntando garrafas para fazerem suas paredes alternativas também.

Carlos jura que elas são seguras e com mais um ponto positivo: todas as garrafas utilizadas foram recolhidas em cachoeiras da região. As inovações não param por aí, dentro do espaço, a tecnologia e a reciclagem convivem harmoniosamente com objetos rústicos e verde; muito verde para todo canto.

“Temos plantas de vários tipos, fazemos também abajur com cipó, palha de coqueiro e bambu, reaproveitamos caixas de ovos, fazemos poltrona de pet. Utilizamos tudo que dê para reaproveitar”, diz, mostrando as criações.


Em vez de lixo, vida

Rita acha que o alto índice de tuberculose é pelo fato das casas serem muito juntas
Conhecido como entulho, as sobras de obras se transformam num grande empecilho para muita gente. Mas a moradora da Rocinha, Rita Smith, conseguiu enxergar no que ia para o lixo, uma forma de lutar pela vida, num local com um dos maiores índices de tuberculose no estado do Rio de Janeiro.

“Aqui tem um número muito grande de tuberculose e doenças respiratórias, porque as casas estão muito juntas, becos próximos, não tem luminosidade, a comunidade cresceu muito. Aí pensamos: o que a gente pode fazer para melhorar essas casas?”, questiona.

Com a ajuda de membros do Grupo de Apoio de Ex-pacientes, Pacientes e Amigos no Combate a Tuberculose (GAEXPA), bastou andar pelas ruas da comunidade para achar uma resposta rápida e acessível a todos:

“A Rocinha tem muito material de construção que está sendo jogado fora; pet, pedaços de tubo jogados em cima das casas que servem como depósito do mosquito da dengue, abrimos essa discussão e começamos a fazer ventilação com pedacinhos de tubo que entram ar ou fazendo janelinhas com pedaços de tubo e concreto”.

A idéia está dando tão certo que Rita pretende expandir para outras pessoas interessadas em deixar o ar circular em suas casas: “O que queremos é fazer uma grande oficina chamada ‘moradia saudável’, ensinando a reaproveitar esse material, deixando de ser proliferadores de doenças, mas sim melhorando a qualidade de vida nas casas”.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mirem-se no jornalismo inteligente



Realmente, é pra pensar: cai um avião em Madri, 153 pessoas morrem e o lamentável fato vira notícia destacada nos jornais do próprio país. Impressionante.

Fabulações do filósofo Divino Habsburgo pelos bosques da reflexão


"O verdadeiro amor é ao mesmo tempo fiel e solidário.
Dá-se por inteiro à pessoa amada e em partes aos amantes para não deixar
ninguém desamparado."

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ciberdica


Bibliografia de Cibercultura

Amigos,

como recebo com frequência e-mails pedindo indicações de livros sobre
diferentes temas da cibercultura, decidi abrir um novo blog:
Bibliografia de Cibercultura - http://bibliografiadecibercultura.blogspot.com.

Além de links para mais dados sobre cada livro listado, a coluna da
direita do blog reúne outras informações (vídeos, mapas mentais, etc.)
que podem ser úteis para o estudante da cibercultura.

Nas próximas semanas, novas seções serão acrescentadas (como
inteligência artificial, consumo online, ciborgue, etc.).

Abraços,

Alex Primo

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Circo da notícia



PEQUIM POLUÍDA?
A Olimpíada, no jornal e na vida real

Por Carlos Brickmann - Observatório da Imprensa - 26/8/2008

Lembre, não faz tanto tempo: de acordo com os meios de comunicação de todos os países, apoiados em estudos científicos absolutamente inatacáveis e em entrevistas com os mais renomados especialistas do mundo, o ar poluído de Pequim iria prejudicar muito o desempenho dos atletas. Ninguém é de ferro: como atingir a máxima performance respirando aquele ar que dava para cortar com faca?

Pois é: esqueceram de avisar o Usain Bolt e o Michael Phelps. Quem tinha o que mostrar, mostrou; os recordes mundiais caíram em penca. E, talvez por ter procurado nos meios de comunicação com menos atenção do que seria desejável, este colunista não viu uma notícia sequer dizendo onde é que a imprensa tinha errado. Será que a poluição de Pequim não é tão forte quanto se imaginava, será que os efeitos da poluição sobre atletas bem treinados são menos graves do que se pensava? Cadê as entrevistas com os mesmos especialistas da catástrofe ambiental, desta vez a respeito da chuva de recordes mundiais?

O regime comunista chinês tem problemas em quantidade: a falta de liberdade de expressão, a maciça aplicação da pena de morte, a ditadura de partido único, o caso do Tibete, o apoio a um regime, como o sudanês, que massacra seus próprios cidadãos. São inúmeros defeitos, são defeitos graves, são defeitos criminosos. Para criticar a China, basta citar os defeitos que existem. Não é necessário, nem ético, inventar defeitos que não existem.


Gravar, não: analisar

O promotor Rodrigo de Grandis disse à imprensa que não existe Estado policial no Brasil, "porque há juízes, advogados e Judiciário devidamente constituídos". A imprensa tem obrigação de noticiar, tanto em respeito ao entrevistado como ao público, que precisa saber o que pensam as pessoas a quem paga salários. Mas, se internet e rádio divulgam simplesmente a notícia, cabe aos jornais e revistas uma tarefa que, no caso, não foi desempenhada: colocar a informação no contexto. Mostrar, por exemplo, que na época da ditadura militar o Brasil era um Estado policial e tinha juízes, advogados e Judiciário devidamente constituídos. Na União Soviética de Stalin havia juízes, advogados e Judiciário devidamente constituídos. E um promotor soviético, Andrei Vishinsky, ficou famoso em todo mundo por sua atuação nos Processos de Moscou.


Recordando

O mesmo promotor Rodrigo de Grandis disse que é preferível o Estado policial ao Estado marginal.

Há duas possibilidades: ou os meios de comunicação publicaram errado (e, neste caso, este colunista terá o maior prazer em publicar na íntegra o desmentido do promotor) ou as declarações de Rodrigo de Grandis são essas mesmo. Neste caso, jornais, revistas e blogs não podem deixar de contextualizar o que ele disse. Primeiro, porque a opção não é esta: é entre civilização e barbárie. Segundo, deve-se ouvir gente de alto nível sobre o tema. Por exemplo, os promotores Hélio Bicudo e Djalma Barreto. Ambos combateram o Esquadrão da Morte, nos tempos da ditadura. Certamente têm muito a dizer sobre este tipo de pensamento.


A opinião de quem sabe

Este colunista foi buscar uma opinião abalizada, de uma pessoa, há anos falecida, que nada tem a ver com os acontecimentos recentes: o desembargador Sylvio Barbosa, até hoje lembrado como juiz severo e homem de grande seriedade. Sua frase: "Há dois tipos de juiz, o justo e o justiceiro. O justo condena um cidadão a 30 anos de prisão e chora. O justiceiro condena o cidadão a 30 anos de prisão e se regozija. Cuidado com os justiceiros!"


O estádio do Corinthians

Todos os dias, nos mais variados meios de comunicação, há notícias sobre o futuro estádio do Corinthians, a ser construído por um consórcio que, como pagamento, irá explorá-lo durante alguns anos. Discute-se a parte jurídica, as garantias, o tempo de construção. Mas este colunista não viu na imprensa, até agora, uma questão da maior importância: como é que se pensa em construir um estádio numa via congestionada como a avenida Marginal do Tietê, longe de qualquer tipo de transporte de massa? Se a Marginal é quase intransitável hoje, como ficará ao receber 40 ou 50 mil torcedores? Que pensam os especialistas em trânsito e transportes a respeito da construção de um estádio numa das avenidas mais congestionadas de São Paulo?

O mundialmente famoso Estádio de Wembley fica bem longe do centro de Londres. Mas, a seu lado, está uma linha de trem que leva direto à Victoria Station, uma das principais estações de metrô, trem e ônibus da cidade. Wembley fica vazio em 30 minutos e pouquíssima gente vai de carro para lá.


Robusto, potente, caro

Quem levantou a lebre foi o portal AutoInforme, de Joel Leite: nos últimos sete anos, o preço dos carros subiu 75% no Brasil, contra 51,9% da inflação. A coisa passou despercebida por dois motivos: primeiro, porque as empresas estão aumentando os carros em porcentagens pequenas, em intervalos também pequenos; segundo, porque os meios de comunicação costumam tratar de carros em termos de beleza, design, conforto, velocidade, e esquecem o preço. Até engolem as histórias do "sem juros" – como se os bancos, que financiam a festa, dessem dinheiro sem juros, taxas, emolumentos e honorários, só para facilitar as vendas.


O preço do combustível

O governo brasileiro está segurando o preço dos combustíveis já há uns dois anos, de um lado para conter a inflação, de outro para alegrar a classe média. Só que isso distorce o mercado: carros com motores cada vez maiores, e mais gastadores, levam vantagem sobre os modelos comuns. Nos Estados Unidos, onde a gasolina segue as flutuações do petróleo, os SUV – os jipões – estão em queda, No Brasil, sua participação de mercado tende a crescer.

Para a imprensa automobilística, isso não conta: é como se a gasolina fosse continuar eternamente barata, independente do mercado mundial. E quando subir, que é que vamos dizer aos nossos consumidores de informação?


Como...

Do noticiário sobre o incêndio no Teatro Cultura Artística, no centro de São Paulo:

1. "Apenas afresco de Di Cavalcanti saiu intacto do incêndio que durou mais de quatro horas em SP"

Afresco é uma pintura sobre gesso ou argamassa. A obra monumental de Di Cavalcanti é um painel, um mosaico, feito de pastilhas. Pode ser tudo, menos afresco.

2. "(...) os dois pianos Steinway, que viviam no teatro".

O fogo, infelizmente, fez com que os dois pianos viessem a óbito.


...é...

Texto de um blog político:

** "(...) Governo Federal entra com a verba e a prefeitura (...) com o `trololó´".

A última vez em que se tinha falado de verba e "trololó" deve ter sido naquele caso dos dólares na cueca.


...mesmo?

O portal de um grande jornal, noticiando o acidente de avião de Madri, informa que um bebê de oito meses perdeu o pai e teve a mãe, em estado gravíssimo, internada num hospital. O parágrafo final da notícia informa que o bebê de oito meses "perguntava insistentemente por seus pais".


Notícia que falta

Um importante portal noticioso relata a morte de um brasileiro recém-casado no acidente de Madri. O portal traz uma entrevista com sua irmã, dá a data do casamento, revela até o nome de sua esposa. Mas não informa se ela estava no avião. Uma pesquisa no espanhol El País mostra que ela estava, sim. Quem redigiu a notícia para o portal brasileiro poderia ter feito a mesma pesquisa.


Notícia que faltava

Ari Cunha, veterano da fundação de Brasília, colunista e vice-presidente do Correio Braziliense, acaba de lançar um blog. Nele, amplia o noticiário de sua tradicional coluna "Visto, Lido e Ouvido", e inclui vídeos e podcasts. Cunha admite que por muito tempo resistiu ao computador. Mas, ao verificar que ganharia condições de informar melhor, com som e imagem, mergulhou de cabeça. O blog tem uma garantia: poucos conhecem Brasília como Ari Cunha.


Coisa feia

Antônio Imbassahy, candidato do PSDB à prefeitura de Salvador, conseguiu da Justiça que censurasse a rádio Metrópole e a proibisse de citar seu nome. É ruim: mesmo quando fazia parte do esquema de Antonio Carlos Magalhães, Imbassahy era bem-visto pelos adversários. É pior: Imbassahy, quando o atual prefeito João Henrique tentou censura idêntica contra a mesma rádio, criticou-o duramente – e suas críticas estão gravadas.


And what about me?

Um assíduo leitor desta coluna, Isu Fang, manda uma notável coleção internacional de notícias que, com certeza, terão alguma importância para alguém. Começa com o caso de um advogado que, explica o título, "acidentalmente processou a si mesmo". Em seguida, um título já antigo: "Jolie grávida de Brad Pitt". Na foto, a barriga de um homem gordíssimo – que, concedamos, se homens ficassem grávidos, ficariam exatamente daquele jeito.

Notícia de jornal: "Um veículo no valor de US$ 74 mil desapareceu, depois que foi camuflado". Nada de maldade: não foi naquele país que o caro colega está pensando, não. Foi na Austrália. Os ingleses adoram contar piadas de australianos.

Outra notícia de jornal fala do grande campeão de golfe (um detalhe: em inglês, o significado destas palavras é o mesmo que em português):

** "Tiger Woods joga com suas próprias bolas, diz a Nike"

Ainda bem!


O grande título

Com a colaboração de Isu Fang, ficou complicado escolher o melhor título. São todos muito bons!

** "Prefeitura gasta US$ 250 mil para anunciar que há falta de fundos"

Este é especial:

** "Voluntários procuram velhos aviões da Guerra Civil"

Vão procurar muito tempo. A Guerra Civil americana acabou em 1865. Santos Dumont fez seu vôo pioneiro com o 14 Bis em 1906.

** "Centro de Controle de Venenos de Utah recomenda a todos que não tomem venenos"

E, como diria o governo brasileiro, quem desobedecer à recomendação estará sujeito a severas punições.

** "Agentes federais invadem loja de armas e encontram armas"

Os dois melhores títulos vêm agora:

** "Estatísticas mostram que a gravidez na adolescência diminui significativamente após a idade de 25 anos"

Aos 50 anos, a gravidez na adolescência cai praticamente a zero.

E este vai em inglês, para não perder o sabor especial:

** "DOE to do NEPA’s EIS on BNFL’s AMWTP at INEEL after SRA protest"

Este colunista pode informar que o título tem algo a ver com um estudo ambiental sobre um incinerador de resíduos nucleares. Não ficou mais fácil?

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Política familiar

Fogo inusitado em Chapecó








Imaginem o susto do motorista ao deparar com tochas humanas.

Jornalismo cultural interativo


Microrresenha de lançamento:

CHINA - Misto de reportagem e diário de viagem, 'Histórias de uma Repórter Brasileira na China' (Letras Brasileiras), traz fotos de Paulo Zero. A autora conta com bom humor como foi viver dois anos num país literalmente do outro lado do planeta.

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Quem souber o nome da autora, favor enviar para a redação do Correio do Povo, em Porto Alegre.

Ditirambo semanal








"A crítica hoje só serve para uma única coisa: fazer viver o crítico." - Os jornalistas - Honoré de Balzac

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Fabulações do filósofo Divino Habsburgo pelos bosques da reflexão





"Para a formiga, uma poça d'água parece ser intransponível. Para a águia, invisível.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008






Haja candidatos ao fantástico Museu do Cocô!!!

Moacir Japiassu (*)

Eu canto porque
o instante existe e a
minha vida está completa.
(Cecília Meireles, jornalista e poeta.)

Haja candidatos ao fantástico Museu do Cocô!!!
O considerado Fausto Osoegawa, o mais brasileiro de todos os nisseis, veterano colaborador da coluna, envia notícia colhida no G1:

Museu japonês recebe exposição sobre cocô

O museu literário da cidade japonesa de Himeji recebe, até o dia 18 de maio, uma exposição sobre um tema curioso: fezes.

No evento, estão expostos dejetos de diversas espécies de animais, além de fotos de diversos bichos durante a "produção".

As crianças - que compõem a maioria dos visitantes - são convidadas a manipular os diversos tipos de cocô.

Há uma sessão apenas para mamíferos africanos, que inclui uma coleção de fezes de zebras, elefantes, girafas e hipopótamos.

O museu oferece ainda uma seleção de livros sobre fezes. Há literatura sobre a importância das fezes, como elas são formadas e até ilustrações e fotos sobre diversos animais que se alimentam do cocô alheio. Um dos destaques é um folheto feito a partir de cocô de elefante.

Janistraquis adorou, Fausto, e revela projeto que bolou a propósito do catingante assunto:

“Agora, considerado, já sabemos o que fazer com fracassadas obras de arte produzidas por falsos intelectuais brasileiros: sem nem mesmo pedir licença, haveremos de despachá-las pro Museu do Cocô.”
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Síndrome de Gabriela
O considerado Ricardo Brandau Quitete, jornalista em São José do Rio Preto (SP), envia notícia publicada na Folha Online, notícia que bem poderia ter dado lugar a outra, digamos, menos indistinta:

DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE -- Trajando biquínis, maiôs e roupas circenses, cerca de dez pessoas ocuparam ontem a praça Raul Soares, na região central de Belo Horizonte, para uma manifestação pelo banho de sol em público.

Brandau, que nunca tomou banho de sol protegido por roupas circenses, deixou fluir a indignada perplexidade:

Ainda se fossem cerca de 100, ou -- vá lá -- cerca de 50, mas "cerca de" 10 pessoas é dose para mamute. Das duas, uma: ou o repórter tem uma preguiça enorme de contar ou, o pior, fugiu das aulas de matemática do primário (ou ensino fundamental, para os mais modernos).

"Seu" Frias deve ter dado ("cerca de dez") pulos de raiva lá no outro plano quando leu tal desfaçatez.

Janistraquis está convencido de que o autor do textinho foi criado nalguma fazenda mineira, padece da “Síndrome de Gabriela” (“eu nasci assim”, eu cresci assim”, “eu sou sempre assim”) e acha que cerca é somente aquela formada por mourões e arame farpado.
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Congratulações
Depois do vexame diante da Argentina, Janistraquis desligou a TV e anunciou:

“Vou ali passar um telegrama de congratulações ao nosso grande líder Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga” – e, ao ritmo de Ronaldinho Gaúcho, dirigiu-se ao banheiro.
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Verdadeira dama
Ronaldinho Gaúcho foi tão elegante, gracioso, mimoso, delicado e meigo na partida contra a Argentina que Janistraquis perdeu inteiramente o respeito pela criatura e pespegou-lhe o prosônimo de “A Dama de Xangai”.
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Jornalista e poeta
A poesia de Cecília Meireles tece o veludo de divinos teares. Leia no Blogstraquis a íntegra de Motivo, cujo fragmento encima esta coluna. O poema integra o livro Viagem, composto entre 1929 e 1937.
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Robson Caetano
O considerado jornalista e promotor de eventos Jarbas Aurélio Pimentel, de São Paulo, e a não menos considerada Cleonice Vieira Mendes, assessora de imprensa no Rio, escrevem sobre um mesmo personagem e são tão semelhantes as reprimendas que o colunista as resume assim:

Pelo menos para os telespectadores brasileiros, o maior recordista das Olimpíadas exerce o cargo de comentarista do canal de atletismo do Sportv; como é fantasticamente chato esse Robson Caetano, hein?!?!?! Fala demais para um portador de disfemia, não diz coisa com coisa, quer entender de tudo e não entende de nada...”.

E segue por aí afora o inclemente reparo ao desempenho do ex-atleta-transformado-em-comentarista, criação da Globo que nem sempre é aceita por sindicalistas e telespectadores comuns; afinal, não basta “ter estado lá”, para brilhar por cá.
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São Paulo ou Rio?
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo banheiro, em trepando-se nas bordas do vaso sanitário, vê-se Lula a criar o ministério da pesca e uma estatal de exploração de petróleo, para que não haja nenhum petista desempregado no país de todos, pois Roldão teve antigas notas recuperadas por Janistraquis e uma delas, do Correio Braziliense, vai aqui com data de 3 de fevereiro de 2004:

“Crime – FALSA BLITZ EM SÃO PAULO – Quatro homens armados com pistolas e vestindo roupas (sic) da Polícia Civil fizeram uma falsa blitz ontem de madrugada em Campinho, zona oeste de São Paulo, roubaram um carro e foram perseguidos por policiais militares. Na fuga, atropelaram um aposentado de 80 anos, que morreu na hora. Os criminosos estavam na estrada Intendente Magalhães, por volta das 5h30, em um Monza roubado.”

Roldão fez o seguinte comentário:

Mesmo morando em Brasília há dez anos, ainda me lembro que a estrada Intendente Magalhães fica em Campinho, subúrbio da capital fluminense, o Rio de Janeiro. E as ‘roupas’ devem ser ‘fardas’, mesmo sendo apenas coletes sobre os trajes paisanos.
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Caymmi e a internet
Janistraquis sorvia um potpourri de cachaça, das recentemente enviadas por amigos gentis e atenciosos (Camilo Viana, Zé Alberto da Fonseca, Zé Truda), e com tal, digamos, coletânea, homenageamos Dorival Caymmi, este que se foi e consigo levou todos os saveiros da Bahia e também o derradeiro pedaço de nossa infância e juventude.

Algo, porém, incomodava o velho companheiro, apesar de literalmente mergulhado no justíssimo mister de embebedar-se:

“Considerado por que, ao informar a morte do poeta de Itapoã, Amaralina e da Lagoa do Abaeté, aquele que brincou tantos carnavais em Maracangalha, por que a ‘imprensa on line’ fez questão de se referir ao ‘músico Dorival Caymmi’? Por acaso existem ou existiram muitos com o mesmo nome noutras e reconhecidas profissões? ”

Nunca existiram, é claro, mas os redatores do chamado jornalismo moderno, os mesmos que migraram da mídia impressa e até já mataram Jesus Cristo na forca,esses nunca ouviram falar de Dorival Caymmi; portanto, também o leitor certamente nunca ouviu falar. Simples assim, como dizem por aí.
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Veludosas vozes
E por falar na morte do mestre que ao violão chamava o vento, leia, considerado e ilustre passageiro, esta carta publicada no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo:

João Gilberto
"Gostaria muito de saber o que fez João Gilberto nos últimos 50 anos em benefício da música brasileira?
Hoje ele é muito pior do que no início, quando apenas cantava mal.
Agora não canta, não sorri, não fala, não interage...
E vocês da mídia têm coragem de elogiar. E eu pergunto: o patrocínio de R$ 2 milhões também beneficia os críticos?"
AGNALDO TIMÓTEO, cantor (São Paulo, SP)

A opinião de Janistraquis é a mesma do remetente:

“O tal de João Gilberto é o maior conto do vigário inventado no Brasil desde o bilhete premiado”, declarou esse que é fã de Caymmi, Francisco Alves, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Nélson Gonçalves, entre alguns dos quais tão poucos ouviram falar.
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É pra esquecer!
Janistraquis, cujo espírito olímpico não está lá essas coisas, fez o balanço das decepções da quinta-feira:

“É duro, considerado, é duro; se a seleção feminina de vôlei deu o esperado show, em contrapartida as meninas do futebol imitaram a seleção do Dunga; e recolheram-se as velas e Rodrigo Pessoa também não teve voz ativa pra comandar seu pangaré. Para completar, Galvão Bueno chamou Jadel Gregório de Jadel Rodrigues... Quer dizer, a coisa não esteve boa pra nós.”
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Nota dez
O considerado Augusto Nunes escreveu no Jornal do Brasil:

Há 13 anos a serviço do dono de uma frota de táxis, o paulistano João Rogério da Silva Alves, 36 anos, 15 dos quais casado com Maria Cavalcanti, é motorista de táxi há 13. Acorda sempre às 5h(...)Ganha por mês cerca de R$ 1.800, que se somam aos R$ 400 que a mulher consegue como diarista.

A renda familiar ultrapassa amplamente a fronteira, redefinida em 6 de agosto pela Fundação Getúlio Vargas, que separa a pobreza da classe média.

(...)No fim da corrida, ele resolve conferir a promoção: "Se entrei na classe média, vou usar o elevador social", sorri. "Até hoje só pude usar o elevador de serviço".

O país recriado pelos malabaristas da estatística é uma beleza. Pena que não se consiga enxergá-lo a olho nu.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que revela a verdade por trás da mentira oficial.
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Errei, sim!
“FORMOU-SE O ANGU – Enevoado texto do Jornal da Tarde, de São Paulo: ‘(...) As lojas especializadas em livros usados, ou sebos, se aproveitam com livros raros ou baratos dos preços altos nos livros novos.’” (janeiro de 1994)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Circo da notícia


Circo da Notícia

ELEIÇÕES 2008
O começo real da campanha

Por Carlos Brickmann - Observatório da Imprensa

A campanha eleitoral de verdade é a que se inicia agora: o horário gratuito de TV, que mostra aos eleitores o rosto dos candidatos, suas propostas (ou falta de propostas), que permite comparar uns aos outros. Há quem não goste; há quem prefira, como este colunista, ver o jogo do Corinthians; há quem prefira as emoções da novela. Mas novela e futebol nos agradam ou irritam no curto prazo. O resultado das eleições nos afeta no longo prazo: teremos melhor transporte, ou não, teremos melhor trânsito, ou não, teremos melhor uso do dinheiro público, ou não, dependendo do prefeito que ajudarmos a eleger.

Que é que move tantos veículos de comunicação, que é que move tantos jornalistas a criticar com tanta força o horário gratuito? Tudo bem, o horário gratuito não é perfeito – mas o que é perfeito? Há demagogia, sim; demagogia que continuaria existindo sem horário gratuito, e sem que o eleitor tivesse o direito de olhar o rosto do candidato, de acompanhar visualmente seus eventuais acessos de insinceridade. Há promessas absurdas, sim; há má-fé, sim. Só que nada disso acabaria com o fim do horário gratuito.

Talvez alguns colunistas, alguns nomes de grife se sintam ofendidos com o contato quase direto do eleitor com o candidato, tornando menos importante aquilo que consideram seu direito sagrado, de achar que comandam, por trás das telas de seus computadores, o pensamento dos votantes. Bobagem? É: candidatos apoiados por um líder carismático, como o presidente Lula, já perderam eleições. Mas é uma bobagem piedosa: deve ser difícil comprovar que a orientação tão boa que oferecem é rejeitada pelo eleitor desobediente, que quer votar nos candidatos que escolher e não nos que escolherem para ele.

Empresas gigantescas, com produtos conhecidos e líderes de mercado, não economizam verbas para anúncios da TV. Será que propaganda na TV é boa para sabão em pó, refrigerantes, jornais, livros, e inútil apenas para candidatos?


Guerra à imprensa 1
Este colunista tem pouquíssimas informações sobre o site Novo Jornal, retirado do ar pelo Ministério Público de Minas Gerais, acusado de difamar autoridades estaduais e federais e o procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares. O site, com base no slogan do MP, "O que você tem a ver com a corrupção?", acrescentava o nome do procurador e perguntava a respeito de algum tema polêmico.

Aceitemos, para argumentar, que o site esteja inteiramente errado. Mesmo assim, retirá-lo do ar vai contra a liberdade de imprensa garantida pela Constituição. Que o responsável pelo site seja processado pelo que publicar, nos termos da lei. E, se condenado, sejam-lhe aplicadas todas as sanções legais. Mas depois do julgamento, e não antes.

Ou ficamos na história de Alice no País das Maravilhas, onde a Rainha de Cartas determinava que os suspeitos fossem condenados e depois julgados.


Guerra à imprensa 2
O prefeito tucano de São José dos Campos (SP), Elias Cury, prometeu ao jornalista Lano Brito que irá indenizá-lo pelo absurdo ataque à sua emissora de rádio. Prometer, prometeu; mas o dinheiro não saiu até agora. E um "maçaneta" do prefeito procurou o dono da rádio para saber se a nova torre não pode ser mais baratinha.

Recordando: um grupo de fiscais da prefeitura se apresentou na rádio de Lano Brito e o informou de que o prédio e a torre seriam demolidos, por irregularidades. Lano Brito pediu alguns instantes para buscar toda a documentação. Os fiscais não esperaram: enfiaram as marretas e as máquinas na torre e no prédio da rádio. Claro que foi um engano: o fato de a rádio fazer oposição ao prefeito não deve ter tido influência nenhuma na violência. E a indenização? Um dia desses, com certeza, vai acabar saindo.


Eles e nós
A mistura entre policiais e repórteres é ainda mais grave do que parece. Um jornalista importante de Brasília recebeu de um colega um cartão de visita com os seguintes dizeres:

Fulano de Tal
Repórter
Polícia Federal

Talvez o colega queira apenas esclarecer sua área de atuação. Mas este colunista nunca viu um cartão de visita de algum companheiro com o esclarecimento "limpeza urbana", "necrológio" ou "lavagem de dinheiro".


Nós e eles
César Cielo é um grande nadador e ganhou o prêmio máximo dos Jogos Olímpicos, a medalha de ouro. Mas quem ganhou o prêmio foi ele: não foi o Brasil, não foi o telespectador (aliás, se ele dependesse do Brasil para ganhar a medalha, não teria nem chegado à Olimpíada: precisou mudar-se para os Estados Unidos, onde treina há três anos, para melhorar seus tempos e seu estilo). Diego Hypolito não ganhou a medalha. É pena; fez por merecê-la. Mas quem ficou sem a medalha foi ele, não foi o Brasil, não foi o telespectador. Transformar a Olimpíada em vitrine da Pátria do Atletismo é mais do que falso: é ridículo.

Na concepção original dos Jogos Olímpicos modernos, nem há classificação por país. Os prêmios são as medalhas. Mais tarde, com a Guerra Fria, inventou-se um sistema de pontos a ser atribuídos a cada uma das medalhas, para permitir a comparação entre os países de cada bloco ideológico.

De qualquer forma, é bom lembrar que Jade Barbosa, como ginasta, exibe suas qualidades pessoais, não as do Brasil. Torcemos por Jade, claro; torcemos por Daniela Hypolito e por Daiane dos Santos, mas não é por nós, e sim por elas, que buscam sair-se cada vez melhor.

É difícil ouvir coisas do tipo "esse é de bronze, mas o sorriso é de ouro". Sorriso de ouro tinha o bicheiro de Nélson Rodrigues. Ao contrário dos atletas brasileiros que foram às Olimpíadas, este não era gente fina.


Os números, os números!
Jornalista, com raras exceções, não gosta muito de números: se gostasse, teria prestado vestibular para alguma coisa na área de Exatas. Mas não precisa exagerar.

Em reportagem sobre a arrecadação de campanha obtida pelos candidatos à prefeitura paulistana, um importante jornal diz que o maior arrecadador foi o prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição. Atribui-se a informação ao TSE, Tribunal Superior Eleitoral: Kassab levantou R$ 2.649.900, sendo R$ 6.500 em doações de pessoas físicas e R$ 340.400 de pessoas jurídicas. Tente fazer a conta: não bate de jeito nenhum.

Mas as coisas não param por aí. Marta Suplicy, do PT, levantou R$ 780.778,08, sendo R$ 10 mil de pessoas físicas e R$ 330.915 de pessoas jurídicas. É mais difícil fechar essa conta do que ganhar a eleição.


Como é mesmo?
A gente cresce ouvindo falar bem de algumas emissoras estrangeiras, muito melhores e mais sérias do que as daqui. Aí surge a internet e a gente pode ver o que é que esse pessoal escreve. Vixe!

Numa única notícia, sobre a contusão da égua do cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, que o tirou dos Jogos Olímpicos, diz o portal da famosíssima emissora internacional:

"É muito duro. Ainda não caiu a minha fixa". (...) "A égua deu um mal jeito (...)", "uma coisa que (...) vai estar curado".

Vai ver que nos tempos da Segunda Guerra Mundial a lendária emissora era diferente.


Como é...
Frase do noticiário do blog de um grande jornal:

** "Excluindo-se o Canadá, a Petrobras é, nas Américas, a empresa que mais perdeu valor de mercado desde 20 de maio"

Terá o Canadá virado uma empresa? Terão empresas canadenses perdido mais valor de mercado que a Petrobras? Nesse caso, por que não identificá-las?


...mesmo?
Notícia de um jornal importante:

** "Guido Mantega convidou seus antecessores vivos para um seminário (...) em Brasília"

Que será que o ministro tem contra seus antecessores falecidos, para negar-lhes o convite?


E eu com isso?
O excelente jornalista Adib Muanis, da TVTem (SP), envia-nos o seguinte bilhete:

"Segunda-feira 11, Rússia mandando bomba e bala pros lados da Geórgia, Olimpíadas bombeando, o ministro Tarso Genro querendo punir torturadores, mas nada, na minha opinião, foi mais importante do que ficar sabendo pela Internet que irmã de Britney passeia com a filha.

"Foi um alívio no meu dia, devo dizer.
"O mundo tem salvação, concluí".

O mundo tem salvação:

** "Brad Pitt sai com calça furada"
** "Yasmin Brunet namora em lanchonete do Rio"
** "Matthew McConaughey vai enterrar placenta do nascimento de filho"
** "Rodrigo Santoro dá uma circulada pelos Jardins"
** "Pouco sol: Selma Blair exibe não-bronzeado de biquíni em Hollywood"
** "Fátima Bernardes e William Bonner fazem compra em shopping carioca"


O grande título
Não há competição possível:

** "Pingüim norueguês com patente militar é promovido"

Um pingüim, ave do Pólo Sul, num país nórdico. Uma ave que nem sequer se defende mas possui patente militar.

Deve ter algum sentido.

Sim, os mortos não foram convidados


Ancelmo Gois - O Globo - 15/8

Zélia volta a Brasília

Para festejar os 200 anos do Ministério da Fazenda, criado com o nome Erário Régio, em 1808, na chegada da Família Real, Guido Mantega convidou seus antecessores vivos para um seminário, dias 8 e 9, em Brasília.

Hasta la vista, baby










Uma capa se faz assim, como a do O Dia

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Genialidade


Argentina dois a zero. Paulo Roberto Falcão, o modelar comentarista da Rede Globo, pondera com a habitual luminosidade:

- O Brasil precisa mudar.

Comentarista com personalidade é outra coisa


Profícuo diálogo entre Galvão Bueno e Falcão:


- O Brasil está muito mal. Você não acha, Falcão?


- É.


- A Argentina domina o jogo. Mas isso é para a análise do Falcão.


- Sim, o Brasil perdeu o domínio do jogo.


- O Dunga precisa colocar o time pra frente. Né, Falcão?


- É, o Brasil precisa avançar.


- Deste jeito a Argentina disputará o ouro, não te parece, Falcão?


- Pois é, é bem provável.


- O Brasil se sujeitou à marcação da Argentina. Você concorda, Falcão?


- O Brasil está muito preso à marcação da Argentina.


- Falta se soltar, não é?


- Sim, precisa se soltar.


E Galvão Bueno conclui:


- Viram, não foi somente eu quem percebeu isso. Paulo Roberto Falcão também.


- É.

Serviço de utilidade pública: conheça as mudanças da reforma ortográfica


GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA
Saiba o que mudou na ortografia brasileira

Douglas Tufano - Guia Reforma Ortográfica
© 2008 Editora Melhoramentos Ltda.

Mudanças no alfabeto:

O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser:
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z

Trema:

Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.

Como era // Como fica
agüentar / aguentar
argüir / arguir
bilíngüe / bilíngue
cinqüenta / cinquenta
delinqüente / delinquente
eloqüente / eloquente
ensangüentado / ensanguentado
eqüestre / equestre
freqüente / frequente
lingüeta / lingueta
lingüiça / linguiça
qüinqüênio / quinquênio
sagüi / sagui
seqüência / sequência
seqüestro / sequestro
tranqüilo / tranquilo

Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas.
Exemplos: Müller, mülleriano.

Mudanças nas regras de acentuação:

1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

Como era // Como fica
alcalóide / alcaloide
alcatéia / alcateia
andróide / androide
apóia (verbo apoiar) / apoia
apóio (verbo apoiar) / apoio
asteróide / asteroide
bóia / boia
celulóide / celuloide
clarabóia / claraboia
colméia / colmeia
Coréia / Coreia
debilóide / debiloide
epopéia / epopeia
estóico / estoico
estréia / estreia
estréio (verbo estrear) / estreio
geléia / geleia
heróico / heroico
idéia / ideia
jibóia / jiboia
jóia / joia
odisséia / odisseia
paranóia / paranoia
paranóico / paranoico
platéia / plateia
tramóia / tramoia

Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.

Como era // Como fica
baiúca / baiuca
bocaiúva / bocaiuva
cauíla / cauila
feiúra / feiura

Atenção: se a palavra for oxítona e o I ou o U estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece.
Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).

Como era // Como fica
abençôo / abençoo
crêem (verbo crer) / creem
dêem (verbo dar) / deem
dôo (verbo doar) / doo
enjôo / enjoo
lêem (verbo ler) / leem
magôo (verbo magoar) / magoo
perdôo (verbo perdoar) / perdoo
povôo (verbo povoar) / povoo
vêem (verbo ver) / veem
vôos / voos
zôo / zoo

4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.

Como era // Como fica
Ele pára o carro / Ele para o carro
Ele foi ao pólo Norte / Ele foi ao polo Norte
Ele gosta de jogar pólo / Ele gosta de jogar polo
Esse gato tem pêlos brancos / Esse gato tem pelos brancos
Comi uma pêra / Comi uma pera

Atenção:
• Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3a pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3a pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

• Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.
Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.

• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).

Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.

• É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.
Veja: a) se forem pronunciadas com A ou I tônicos, essas formas devem ser acentuadas.
Exemplos: Verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxágüem; Verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.

b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.
Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras): Verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxágüem; Verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com A e I tônicos.

Uso do hífen:

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos, para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.
As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por H.
Exemplos: anti-higiênico; anti-histórico; co-herdeiro; macro-história; mini-hotel; proto-história; sobre-humano; super-homem; ultra-humano
Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o H).

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.

Exemplos: aeroespacial; agroindustrial; anteontem; antiaéreo; antieducativo; autoaprendizagem; autoescola; autoestrada; autoinstrução; coautor; coedição; extraescolar; infraestrutura; plurianual; semiaberto; semianalfabeto; semiesférico; semiopaco
Exceção: o prefixo CO aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por O: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de R ou S.
Exemplos: anteprojeto; antipedagógico; autopeça; autoproteção; coprodução; geopolítica; microcomputador; pseudoprofessor; semicírculo; semideus; seminovo; ultramoderno
Atenção: com o prefixo VICE, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante etc.

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por R ou S. Nesse caso, duplicam-se essas letras.
Exemplos: antirrábico; antirracismo; antirreligioso; antirrugas; antissocial; biorritmo; contrarregra; contrassenso; cosseno; infrassom; microssistema;
minissaia; multissecular; neorrealismo; neossimbolista; semirreta; ultrarresistente; ultrassom

5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.
Exemplos: anti-ibérico; anti-imperialista; anti-inflaacionário; anti-inflamatório; auto-observação; contra-almirante; contra-atacar; contra-ataque; micro-ondas; micro-ônibus; semi-internato; semi-interno

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.
Exemplos: hiper-requintado; inter-racial; inter-regional; sub-bibliotecário; super-racista; super-reacionário; super-resistente; super-romântico
Atenção:
• Nos demais casos não se usa o hífen.
Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.

• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por R: sub-região, sub-raça etc.

• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por M, N e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal.

Exemplos: hiperacidez; hiperativo; interescolar; interestadual; interestelar; interestudantil; superamigo; superaquecimento; supereconômico; superexigente; superinteressante; superotimismo

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen.

Exemplos: além-mar; além-túmulo; aquém-mar; ex-aluno; ex-diretor; ex-hospedeiro; ex-prefeito; ex-presidente; pós-graduação; pré-história; pré-vestibular; pró-europeu; recém-casado; recém-nascido; sem-terra

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim.

Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.

Exemplos: girassol; madressilva; mandachuva; paraquedas; paraquedista; pontapé

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte.
Exemplos:
Na cidade, conta-
-se que ele foi viajar.
O diretor recebeu os ex-
-alunos.

Resumo do emprego do hífen com prefixos:

Regra básica
Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-homem.
Outros casos
1. Prefixo terminado em vogal:
• Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo.
• Sem hífen diante de consoante diferente de R e S: anteprojeto, semicírculo.
• Sem hífen diante de R e S. Dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial, ultrassom.
• Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-ondas.
2. Prefixo terminado em consoante:
• Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-bibliotecário.
• Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, supersônico.
• Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.

Observações
1. Com o prefixo SUB, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por R: sub-região, sub-raça etc.
Palavras iniciadas por H perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade.
2. Com os prefixos CIRCUM e PAN, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por M, N e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
3. O prefixo CO aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se
inicia por O: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.
4. Com o prefixo VICE, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-almirante etc.
5. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista etc.
6. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen:
ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.

Giz com pólvora


Un distrito de Tejas permite a los maestros ir a clase armados

EL PAÍS - Madrid

En el Distrito Escolar Independiente de Harrold, una zona rural de Tejas (EE UU), las autoridades han decidido que es una buena idea permitir a los maestros que vayan armados a clase. La decisión, tomada de acuerdo con los padres y los docentes, entrará en vigor el próximo 25 de agosto, día en el que comienza el nuevo curso, según informó la cadena británica BBC. Es la primera vez que en EE UU se permite llevar armas dentro de un recinto de enseñanza pública.

La medida, no obstante, no afectará a muchos alumnos, ya que el distrito lo componen únicamente 110 alumnos. Las autoridades de la zona justifican la medida argumentando que ayudará a proteger a la comunidad escolar en caso de que se produzca un tiroteo dentro del colegio. Los maestros sólo podrán portar armas después de recibir un curso de formación para manejar situaciones de crisis.

Los episodios de violencia en los centros educativos estadounidenses han conmocionado a todo el mundo. El año pasado, un estudiante mató a 33 personas en la Universidad Tecnológica de Virginia.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Hay concursos


Do Repórter S/A

Petrobras realiza concurso para jornalista no Rio

Empresa: Petrobras
Local: Rio de Janeiro - RJ
Cargo: Jornalista (1 vaga)

Exigências: Certificado de conclusão ou diploma, devidamente registrado, de conclusão de curso de graduação de nível superior, bacharelado, em Comunicação Social - Jornalista, reconhecido pelo Ministério da Educação e registro no Ministério do Trabalho e Emprego, como Jornalista. Acompanhar, participar e executar atividades voltadas à produção de meios e conteúdos textuais e visuais para veiculação em meios impressos, digitais e interativos; redigir comunicados e informativos para imprensa, bem como efetuando suporte na cobertura de ações e atividades da Companhia

Remuneração: R$ 4.798,65

Inscrições: até 31/08 (taxa R$ 39,80)
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Ministério da Justiça promove concurso público para jornalista em Brasília

Empresa: Ministério da Justiça
Local: Brasília - DF
Cargo: Jornalista (3 vagas)

Exigências: Diploma de curso de graduação concluído em Comunicação Social (habilitação Jornalismo) fornecido por instituição de ensino superior reconhecida pelo MEC

Remuneração: R$ 3.800,00

Inscrição: até 22/08 (taxa R$ 60,00)

Informações: www.funrio.org.br
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Tribunal de Justiça do Ceará abre concurso público para jornalista

Empresa: Tribuna de Justiça do Ceará
Local: Recife - CE
Cargo: Jornalista (1 vaga)

Exigências: Diploma, devidamente registrado, de conclusão de curso de graduação de nível superior em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, fornecido por instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação. Atividades relacionadas à assessoria de imprensa tais como produzir, informar, redigir, sugerir o que, como e quando divulgar. Manter boas relações com a mídia. Divulgar produtos de caráter jornalístico do Poder Judiciário. Organizar e realizar eventos considerados jornalísticos. Administrar o fluxo de informações para os veículos de comunicação

Remuneração: R$ 2.096,70

Inscrições: até 02/09 (taxa R$ 70,00)

Informações: http://www.cespe.unb.br/concursos/tjce2008

Na rua, na lua, na fazenda ou numa casinha sabe-se lá onde




A pergunta elementar: Onde?

Ditirambo semanal



"Os profundos" - os que são lentos no conhecimento acham que a lentidão é própria do conhecimento - A Gaia Ciência - Friedrich Nietzsche

domingo, 17 de agosto de 2008

Bolsas para os States


Bolsas para acompanhar as eleições americanas

Do Martelada

A embaixada dos Estados Unidos está oferecendo 20 vagas a estudantes brasileiros de ciências políticas, jornalismo ou relações internacionais em um programa na universidade da Carolina do Norte. Os selecionados ficarão lá de 25 de outubro a 8 de novembro, participando de cursos e seminários. Tudo por conta do governo americano.

Mais informações no site www.usembassyprograms.org.br. As inscrições vão até 14 de setembro.

Gramado turbinado - I

Gramado turbinado - II

Gramado turbinado - III

sábado, 16 de agosto de 2008

Pressionada







Igreja contra fotos da atriz Carol Castro na 'Playboy' por causa do terço

Ela agradece o apoio



Ok, ok, Carolzinha, mas aproveita e tira esta crase e junta o super com o compreensivos.

Incapacitados, ôh Folha? Faça-me o favor

Ainda há tempo


Prêmio Esso de Jornalismo recebe inscrições até dia 31

Coletiva.Net

Jornalistas de todo o Brasil têm até dia 31 para se inscrever na 53ª edição do Prêmio Esso de Jornalismo. São onze categorias de mídia impressa, além do Prêmio Esso de Telejornalismo e do prêmio principal, que recebe o nome do programa. Podem concorrer profissionais que tiverem trabalhos publicados na Imprensa ou veiculados nas emissoras de televisão brasileiras no período entre 1º de setembro de 2007 e 31 de agosto deste ano.

Para concorrer ao Prêmio Esso de Jornalismo (mídia impressa), o candidato deve enviar seis originais (ou um original e cinco cópias) do trabalho concorrente, em que estejam visíveis o nome do veículo e a data na qual foi publicado. Em caso de trabalhos publicados em jornais de formato standard, uma das seis cópias deverá obrigatoriamente ser reduzida ao tamanho de uma folha A-3.

No caso de fotos, além das páginas do jornal ou revista, deverão ser acrescentadas seis cópias do trabalho em papel fotográfico, tamanho aproximado de 18x24cm. A inscrição de trabalhos de Criação Gráfica e Primeira Página deve ser feita através do envio de pelo menos um original das páginas dos jornais e revistas, além das cinco cópias restantes, para que os julgadores avaliem o trabalho exatamente como os leitores o viram, com todas as características da impressão normal do órgão de Imprensa.

Para o Prêmio Esso de Telejornalismo foi mantida a possibilidade de participação direta dos profissionais, admitindo-se, porém, apenas um trabalho por emissora de televisão, integrante ou não de redes regionais ou nacionais. As emissoras participantes devem possuir departamento, núcleo ou estrutura mínima de jornalismo. Já as redes continuarão a poder inscrever, por suas direções de jornalismo, um máximo de até cinco trabalhos cada.

Para concorrer ao Prêmio Esso de Telejornalismo, os interessados devem enviar seus trabalhos reproduzidos em DVD, num total de seis cópias para cada trabalho, devidamente identificadas com o nome da emissora na qual a reportagem foi veiculada e/ou da rede à qual está associada; nome do programa ou noticiário jornalístico e o título conferido à reportagem; data e hora da primeira veiculação; memorial ou descrição detalhada do trabalho; nome e as assinaturas do(s) repórter(es) e cinegrafista(s) integrantes da equipe responsável pela execução da reportagem; reprodução de documento que comprove o exercício regular de atividade jornalística por parte dos concorrentes; e-mail e telefone de contato.

Os resultados finais do Prêmio Esso de Jornalismo 2008 e do Prêmio Esso de Telejornalismo serão anunciados durante cerimônia de premiação a ser realizada no início do mês de dezembro. As comissões de julgamento serão formadas por jornalistas no exercício da profissão em veículos brasileiros ou profissionais ligados à área de comunicação.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Correção das boas


Aécio Neves, candidato na eleição deste ano? Esquisito, uai! Avisem o homem porque nem ele sabe.

jornal da imprenÇa


O dia em que a profissão virou nome próprio

Moacir Japiassu (*)

Memória e palavra
se completam uma na
outra, perseguindo sons

Celso Japiassu in A Tarde e um Novo Dia)

O dia em que a profissão virou nome próprio
A triste notícia foi enviada à coluna por 64 leitores de quase todo o país e, para se ter uma idéia, deu até no Aquidauana News, evidentemente de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, cidade muito conhecida dos telespectadores da novela Pantanal:

“Morreu no Rio de Janeiro Marchand Marcus Aurélio, marido da atriz Isadora Ribeiro.”

Segundo todos os depoimentos, marchand virou nome próprio originalmente nas páginas da revista Contigo! e se espalhou redações afora.

Laerte Peregrino Fonseca, comerciante em São Paulo, leu a notícia no portal Terra, no qual uma legenda de foto esclarecia:

“Isadora Ribeiro e Merchand Marco Aurélio tinham uma filha”.

Laerte deixou cair o queixo:

“Certamente o redator do Terra, mais instruído que os demais, achou melhor trocar Marchand por Merchand...”

O professor de jornalismo Álvaro Larangeira tomou conhecimento do lamentável acontecimento em variadas fontes e agraciou o “texto” com o TROFÉL IMPRENÇA da semana em seu blog, http://nomundodaluanews.blogspot.com

Janistraquis também ficou perplexo e recordou episódio ocorrido numa prestigiada Redação paulistana, quando uma gentil senhorinha saiu para fazer reportagem sobre culinária de luxo e se referiu a uma certa “Mostarda de Jó”. Não foi difícil descobrir que se tratava da mostarda (de) Dijon...

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Indignação mineira
Percorre a internet o nome de um inexistente bairro na cidade de Bela Vista de Minas, Puta Que Pariu, o que deixou indignado o considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte:

Pois é...a mentira foi cantada em prosa e verso por aí afora, mas quase nada se falou a respeito do último e, este sim, verdadeiro, resultado do Enade. Poucos dão importância às boas notícias

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes revelou:

- Um terço dos melhores cursos está em Minas Gerais;

- Apenas 25 cursos no país obtiveram nota máxima (5) e, desses, oito são de instituições mineiras, todas universidades federais do interior;

- Três desses cursos estão em Alfenas (Unifal-MG), três em Viçosa (UFV), um em Lavras (Ufla) e um em Uberaba (UTM);

- O Enade 2007 mediu a qualidade de 3.248 cursos em 16 áreas. Os 70 que tiveram os piores resultados (notas 1 e 2) no estado serão fiscalizados pelo MEC e terão mais exigências no processo de recredenciamento.

- Pelo novo indicador criado para avaliar cursos de graduação, dos 48 melhores, 13 estão em Minas.
(Confira em http://www.estaminas.com.br/em.html)

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O ataque do pedido
O considerado Marco Antonio Zanfra, assessor de imprensa do Detran de Santa Catarina, envia de seu refúgio ecológico na Praia da Joaquina:

Foi deflagrada a III Guerra Mundial, a julgar pelo título "EUA e Rússia se atacam", estampado na página 17 do "Diário Catarinense" deste sábado, 9 de agosto.

Enquanto esperava o zunir dos mísseis intercontinentais e o fragor dos cogumelos incandescentes, li no texto sob a alarmante chamada que a notícia não era exatamente sobre a iminência de um novo conflito internacional de seqüelas imprevisíveis, mas sobre o "pedido" dos Estados Unidos à Rússia para que suspendesse o ataque à província da Ossétia do Sul, na Georgia.

Zanfra observa que ocorreu ligeira confusão entre as palavras, algo bastante comum no chamado “jornalismo moderno”:

Contrariando o grau de sobressalto que o titulador quis dar à notícia, o texto diz que os EUA simplesmente pediram, através da secretária de Estado Condoleeza Rice, que a Rússia "cesse imediatamente os ataques aéreos e de mísseis e respeite a integridade territorial da Georgia." Que espécie de "ataque" pode haver num pedido desses?

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Palavra obscena
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de cujo varandão debruçado sobre a ignomínia observa-se um grupo de coveiros a enterrar algemas à porta da Polícia Federal, pois Roldão organizava a vasta correspondência quando teve a atenção despertada pela carta de um amigo, com o seguinte teor:

Estava lendo o Correio Braziliense e deparei com essa palavra (!?) em uma reportagem: FÔLDERES. Como não sou assinante, não vou escrever reclamando – mas, outra vez, apelo para a sua boa vontade. Dá para reclamar, nem que seja para eu me sentir um pouco melhor?

Puxa vida, não dá para escrever FOLHETOS? Infelizmente, pegaram o jornal da minha mesa e eu não me lembro qual reportagem era, mas é desta semana.

Nosso mestre encaminhou a carta à direção do jornal, com esta observação:

Endosso a reclamação deste amigo. É incrível como estamos perdendo nosso vocabulário vernáculo, por esnobação alienada, obrigando as pessoas a aprenderem novas palavras, estrangeiras, esquecendo as consagradas em nossa língua há séculos.

Pois é, Roldão, saiba que, embora tenha trabalhado em agência de propaganda, o colunista sempre abominou a palavra, por considerá-la altamente obscena; afinal, lembra aquilo...

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Porre espetacular?
O jornalista paulistano Luís Felipe Tonet procurava no portal G1 qualquer informação que não fosse sobre as Olimpíadas quando encontrou, sob o título Rússia diz ter atacado tropas da Geórgia na capital da Ossétia do Sul:

"Posições do exército russo que estavam atirando em Tskhinvali e nas forças de paz foram suprimidas pela artilharia e por tanques do 58º Exército russo", segundo o comandante russo Igor Konashenkov a uma TV russa.

Tão perplexo quanto o judoca João Derly, aquele que levou uma surra do português, Tonet desabafou:

“Não entendi muito bem quem é que estava atirando em quem, mas, pelo visto, a coisa por lá está russa!”

Janistraquis também ficou confuso, ó Tonet:

“Considerado, se a frase do comandante Igor está entre aspas, existe grande possibilidade de o homem ter dado a entrevista em meio a um porre espetacular; e também é difícil qualificar a situação naqueles lados; nosso colaborador acha que está russa, mas creio que está mesmo é ruça...”

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Dureza alemã
Janistraquis, que anda mais desorientado do que cachorro em padaria, passava os olhos cansados pelo UOL - Últimas Notícias e leu a manchete:

Alemão que dormiu nove anos em estação de trens é condenado.

Meu assistente ficou revoltado:

"Caramba, considerado, o serviço social na Alemanha já foi melhor! Esse pobre comatoso dorme nove anos na estação, quando deveria estar num hospital!!!"

Fui conferir; na verdade, o alemão, identificado apenas como Mike K., como um personagem de Kafka, morou na estação durante os últimos nove anos. Tem 29 de idade, é viciado em cocaína e heroína, portador do vírus HIV e sofre de hepatite; não tem endereço fixo faz tempo e mendigava durante o dia na estação de Düsseldorf.

Janistraquis não deu o braço a torcer:

"E então? Se fosse num país preocupado com as pessoas, um país realmente de todos, o sujeito estaria pelo menos inscrito no Bolsa Família!!!"

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Celso Japiassu
Leia no Blogstraquis a íntegra do Poema n° 2, o qual compõe a série ainda inédita A Tarde e um Novo Dia. O poeta, que sempre revisita o passado, evoca rotas em que nos perdemos para sempre na busca de um retorno.

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Carregando malas
Janistraquis enviou mensagem ao Cleber Machado oferecendo-se para carregar as malas desse excelente narrador esportivo na mudança da Globo para a Record.

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Coisa de mineiro
O considerado Mário Lúcio Marinho envia piadinha que é o retrato da ingenuidade mineira de tempos idos e vividos:

ANJOS CAIPIRAS
Dois caipiras de Dores do Indaiá foram assaltar a Igreja à noite.
O padre percebeu o barulho, acendeu as luzes e perguntou:
- Quem está aí ?- os dois caipiras ficaram calados.
Aí o padre perguntou de novo:
- Quem está aí?!?!
Um dos caipiras respondeu:
- Nóis é anjo.
Desconfiadíssimo, o padre desafia:
- Então por que não voam?!
Sem titubear, o outro caipira responde:
- Nóis é fiote!!!....

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Aos que chegam
A coluna informa aos novos (e inúmeros) credenciados deste Comunique-se que não existe nenhuma burocracia para se colaborar com o Jornal da ImprenÇa; a coluna aceita notícias consideradas “velhas”, porque besteira infelizmente não prescreve, e quem quiser manter o anonimato pode criar pseudônimo, pois este é, digamos, um território livre de preconceitos.

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Nota dez
Em entrevista à revista Língua Portuguesa, disse o mestre Deonísio da Silva:

As evidências mostram que no Brasil há muitos incompetentes em postos importantes, vítimas e cúmplices do que lhes acontece. Na mídia, eles se acotovelam e enterram jornais e revistas, patinando nas mesmas tiragens, enquanto nós fazemos a nossa parte, isto é, produzindo novos livros e leitores.

Somos o maior mercado editorial da América do Sul. Foram os livros que nos tornaram leitores e depois assinantes de revistas, não o contrário. Eles esqueceram isso? Quando o jornal e a revista são bons, os leitores podem até migrar para a internet, para a edição eletrônica, mas sempre vão procurar o que precisam. E a imprensa precisa dar o que o leitor precisa; ou não precisa, mas quer.

Leia no Blogstraquis a íntegra da entrevista deverasmente notável.

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Errei, sim!
MAIS MAIORES – Página de Filmes na TV do jornal O Fluminense, de Niterói: ‘Morte em Veneza, produção italiana de 1971, dirigida por Lucchino Visconti, um dos mais maiores cineastas do seu país (...)’. Janistraquis se divertiu: ‘Considerado, um dos mais maiores diretores, louvado por um dos mais menores redatores...’”. (dezembro de 1992/janeiro de 1993)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.

Fabulações do filósofo Divino Habsburgo pelos bosques da reflexão








"Palavras empoladas são como pedras
cujo peso faz curvar as costas."

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Eu, hem!



Prezada editora Opvs, a ÉRA com acento, referida no convite, é anterior ou posterior à era das regras normativas da língua portuguesa?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Circo da notícia


MISTURA INDIGESTA

Imprensa é imprensa, polícia é polícia

Por Carlos Brickmann

Um famoso marginal carioca, Lúcio Flávio Villar Lírio, que virou até herói de filme, costumava protestar duramente contra a corrupção policial. Queixava-se: "Polícia é polícia, bandido é bandido". Pouco depois, na pior fase da ditadura militar, uma das reivindicações da imprensa era proteger-se contra o exercício da profissão por policiais que se faziam passar por jornalistas. A luta para que polícia e jornalismo não se misturassem teve grandes vitórias. Agora, infelizmente, vemos muitos jornalistas loucos para desempenhar funções policiais.

Há coisas visíveis, como fantasiar-se de policial para obter imagens exclusivas. E coisas menos visíveis, como os jornalistas que levam e trazem informações da polícia, sem sequer se dar ao trabalho de checá-las; como os repórteres que, em vez de publicar as notícias que obtiveram, preferem entregá-las às autoridades.

Há jornalistas que, nos anos de chumbo, valorizavam o direito de defesa, colocavam-se a favor do respeito aos direitos humanos, mantinham-se sempre perto de um advogado (até porque, em certos momentos, só a ação firme deste advogado poderia mantê-lo vivo, incólume e em lugar conhecido). Hoje criticam "os advogados pagos a peso de ouro" – os mesmos que, no passado, os defenderam de graça – e criticam os direitos individuais. A seu ver, uma polícia que não seja atrabiliária, uma investigação que não ofenda os direitos humanos e a possibilidade de acesso dos advogados à acusação, para que possam preparar a defesa, atrasam a punição dos culpados. Defendem a execração pública dos investigados, sem qualquer julgamento. Repetem, quase com as mesmas palavras, o refrão da direita fascista: direitos humanos são coisa de bandido. E bandido, naturalmente, é quem eles consideram bandido, e que o juiz só terá o direito de condenar. Ai do juiz que tiver idéias próprias e absolver algum cavalheiro que a imprensa considera culpado! Será patrulhado e atingido por toda sorte de insinuações.

Parafraseando Júlio Mesquita, em sua histórica polêmica com Eduardo Prado, isso não é imprensa, ou melhor, imprensa não é isso.


A culpa da vítima

Frase de um festejado comentarista de televisão, a respeito do filme Batman: "Ninguém filma Paris acabando ou Londres em pó. Mas americano paranóico só pensa em inimigos. As próprias torres encarnavam uma arrogância arquitetônica, pedindo bombardeio (...)"

A frase está errada, claro. "Paris está em chamas?", pergunta de Adolf Hitler a seu general von Choltitz, virou livro e filme. Paris foi filmada sob bombardeio e sob ocupação; a Batalha da Inglaterra foi tema de muitos filmes, Londres sob as bombas da aviação nazista. E dizer que as torres pediam bombardeio equivale a dizer que a moça foi estuprada por causa daquelas roupas reveladoras. Pior do que atribuir às vítimas a culpa do crime, justifica o terrorismo. Inaceitável.


Meliante, suposto, quem sabe?

De certa forma, é um bom hábito: indica que os meios de comunicação hoje se preocupam em reduzir as acusações indevidas. O sujeito só passa a ser chamado de meliante, elemento, bandido, depois de condenado (ou quando se transcreve alguma peça do Ministério Público ou da polícia).

Mas há exageros. Aquele garoto que atirou a esmo dentro de um cinema não é "suposto atirador". É atirador, mesmo. O sujeito apanhado em flagrante quando mata alguém não é "acusado de matar", é matador mesmo (pode ser absolvido, se a Justiça considerar que há motivos para isso, mas o fato de não ser punido não significa que não tenha matado).

O professor de jornalismo Álvaro Larangeira traz um caso exemplar, tirado de um grande jornal:

"Suspeito de ter matado jovem britânica se diz arrependido em GO"

E analisa:

"Silogismo jornalístico:

a) Ele é o suspeito;
b) Ele confessa;
c) Logo, ele não é mais o suspeito".

Mais claro, impossível.


Última flor...

Num grande jornal, a reportagem mostra a dificuldade de encontrar sementes de papoula para uso culinário. E entrevista uma senhora que ainda tem um pequeno estoque, mas é preciso "polpar".

Parece que as sementes devem ser espalhadas com a "pauma" da mão.


...do Lácio

Também de um grande jornal (e em título!):

** "Tarso responde delegado".

Pelo jeito, a regência verbal segue o mesmo caminho da regência trina, de antes de D. Pedro 2º: deixa de existir. Este colunista até tentou outra possibilidade, de que alguém tenha perguntado ao ministro da Justiça qual a profissão de, digamos, Paulo Lacerda, e ele tenha respondido "delegado". Mas não, o tema era outro. Além disso, o ministro Tarso Genro jamais conseguiria responder a uma pergunta com uma só palavra.


Como é mesmo?

O título é de um portal importante:

** "Espírito Santo lidera ranking de produção industrial, diz IBGE"

Terá São Paulo, finalmente, perdido a liderança industrial no país?

Não: o que o título gostaria de dizer é que o Espírito Santo liderou, neste ano, o ranking de aumento da produção industrial. Um pouco diferente.


E eu com isso?

Tudo bem, a abertura das Olimpíadas de Pequim foi assunto por dois ou três dias (este colunista, lembrando ainda o ursinho Mischa das Olimpíadas de Moscou, ficou decepcionado com a festa chinesa). Mas os principais temas de conversa são outros: são os que se seguem.

** "Antonio Fagundes leva a namorada ao teatro"
** "Carol Castro aparece sentada na capa da Playboy"
** "Ivete Sangalo repete roupa de Cicarelli"
** "Mulher Melancia janta com namorado no Rio"
** "Carolina Dieckmann pegou carrapato"
** "Junior Lima `se joga´ na noite paulistana"

O grande título

Muita coisa boa, muita coisa boa. Temos títulos daqueles que faltou completar, como...

** "Índia: Murdoch investirá US$ 100 mi para em canais"

** "Aspirantes a sucessor de Olmert evitar eleições"

Temos aqueles que precisam de interpretação:

** "Engavetamento entre nove veículos mata um na Dutra"

E este colunista nem sabia que os veículos estavam vivos!

Há uma excelente série de duplo sentido:

** "Fabiana Murer recebe varas após epopéia"

** "Não deu: Juliana desiste dos Jogos de Pequim"

** "Cachorro comendo o rabo"

Seria melhor colocar "o próprio", não é mesmo? Gente com maus pensamentos, como este colunista e boa parte de seus leitores, pode fazer interpretações que provavelmente não corresponderão às puras intenções do autor do título.

O melhor título está na categoria dos que precisam de explicação:

** "Dunga pede chute para evitar `pecado´"

Alguém tem a explicação?